A inovação é chave para a competitividade e deve ser desenvolvida ao longo das cadeias produtivas. “As grandes empresas não conseguem fazer o trabalho sozinhas por muito tempo”, diz Carlos Calmanovici, presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Empresas Inovadoras (Anpei).
O engenheiro químico, que é responsável pela área de inteligência e tecnologia da indústria petroquímica Braskem, acaba de ser reeleito para um mandato de mais um ano à frente da entidade. Para ele, houve avanços no tema da inovação no Brasil nos últimos anos, mas ainda há muito trabalho pela frente.
“Não podemos mais comparar o Brasil com o Brasil. Temos de enxergar que o mundo está em outra dinâmica”, afirma. Apesar de estar entre as sete maiores economias do mundo, o país é apenas o 38º colocado em um ranking de inovação com 44 países organizado pela Information Technology and Innovation Foundation (ITIF) em 2011.
“Continuamos achando que há oportunidades que não estão sendo exploradas. Precisamos de projetos mais ambiciosos”, diz. O acesso a recursos financeiros para pesquisas e desenvolvimento de novos projetos é um dos principais entraves levantados pela Anpei para o avanço da inovação no país. Em 2011, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do governo federal, não lançou edital de subvenção. Neste ano, a entidade ainda não abriu novo processo, mas há expectativa. Em discurso, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, anunciou para o segundo semestre a liberação de um novo edital – a previsão é de que sejam disponibilizados R$ 500 milhões. “Inovação tecnológica é cara. Pressupõe investimento elevado em capital humano e físico”, diz Calmanovici.
Trabalho em rede para as pequenas em médias
Para o presidente da Anpei, a solução para minimizar os custos e otimizar os resultados de pesquisa para as pequenas e médias empresas é buscar o trabalho em cooperação. As universidades e as fundações de pesquisa podem ser grandes aliados do mercado nesta empreitada. Mas há limitações.
“A universidade é fundamental para qualquer empresa inovadora. É uma fonte de ideias e geração de conteúdo científico. Mas há um risco quando ocorre a migração dessas ideias para o mercado. Essa passagem nós chamamos de vale da morte”, diz. Na avaliação de Calmanovici, a cooperação entre empresas tende a ser mais desafiadora, mas é necessária. “Elas são o elo final que sustentam a inovação.”
Para ele, as empresas precisam perceber o risco que existe em não investir em inovação para tomar a dianteira do processo e buscar parcerias. “Existe um risco de não inovar, e esse risco é o de perder o próprio negócio”, afirma.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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