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Empreendedorismo

'Só sei vender aquilo que eu usaria', afirma Ana Hickmann

31/12/2012

É raro encontrar um brasileiro que não saiba quem é a modelo Ana Hickmann. Entretanto, são poucos os que conhecem outra faceta da top model: a de empreendedora. Essa história começou em 2002, com o convite da Vizzano para que Ana criasse uma coleção de sapatos que levasse seu nome. Desde então, o portfólio de produtos licenciados pela modelo não parou de crescer e, em 2011, ela lançou o seu próprio site de comércio eletrônico.

“Nos dois primeiros anos, o mercado acreditou que seria uma marca de oportunidade, que duraria pouco, assim como outros licenciamentos de celebridades”, diz Ana Hickmann ao site Pequenas Empresas & Grandes Negócios. “Porém, como na minha carreira de modelo, eu vi a chance de fazer algo muito maior. E todo o trabalho de desenvolvimento da marca foi concebido com o meu aprendizado diário e com as equipes de criação de cada empresa que passou e que está ao meu lado”, afirma. “Desde o primeiro sapato até a última peça, sempre fiz questão de escolher os materiais, os modelos e as cores e acreditei que esses produtos seriam os melhores para as minhas consumidoras. Só sei vender aquilo em que eu acredito e que eu usaria.”

Na loja virtual, são oferecidos todos os produtos à venda no varejo, além de outros feitos exclusivamente para o site. No total, são mais de 3.000 peças, entre elas sapatos, acessórios, cosméticos, óculos, relógios, semijoias e coleções de moda. Atualmente, o faturamento anual da marca Ana Hickmann chega a aproximados R$ 400 milhões, além de mais R$ 2,5 milhões correspondentes às vendas por e-commerce.

Até o fim de 2012, a previsão de crescimento das vendas pelo e-commerce é de 30%. “Pretendemos atingir esse aumento através da diversificação dos produtos, tanto licenciados quanto exclusivos, e por meio de parcerias com empresas de grande porte para a venda direta a funcionários”, afirma Gustavo Corrêa, diretor do e-commerce.

Confira a entrevista que Ana Hickmann deu à PEGN sobre seu lado empreendedor:

De onde veio a inspiração para empreender?
A primeira oportunidade apareceu em 2002, quando a Vizzano me convidou para criar uma coleção de sapatos com meu nome. Eles descobriram minha paixão por acessórios e sapatos! Em 2006, eu já licenciava oito categorias de produtos: biquínis, óculos, sapatos, máquinas fotográficas, jeans e moda casual, roupas de fitness, guarda-chuvas e cosméticos.

O que a marca Ana Hickmann oferece de diferencial ao cliente? E quais são os diferenciais do e-commerce da marca com relação a outros e-commerce?
Eu sou a minha marca e por isso sou criteriosa na escolha dos produtos que licencio, desde o material usado nas peças até a publicidade. Se não acreditar num projeto, não sei vender. Sou exigente como sempre foram comigo; perfeccionista e atenta a cada detalhe. Também conto com uma equipe de atendimento comprometida e atenciosa. Isso é um dos diferenciais - estar realmente envolvida em todo o processo e ser cuidadosa na escolha das pessoas que vão fazer parte dessa equipe. Outro diferencial é que poucas etapas do processo são terceirizadas. Assim, eu consigo acompanhar de perto o passo a passo e faço questão de ir semanalmente ao escritório para ver de perto tudo o que está acontecendo. Tento fazer com que as mulheres se sintam atendidas de forma carinhosa e exclusiva, como se estivessem comprando comigo pessoalmente em uma loja física.

Quais foram as principais dificuldades para empreender?
A minha maior dificuldade no começo foi fazer com que os homens de negócio acreditassem em uma garota de 22 anos. Eles estavam preocupados com números e se esqueciam de detalhes que fazem toda a diferença para as mulheres, como estilo e conforto. Uma dificuldade que tenho até hoje é conciliar a minha agenda. Sempre fiz questão de participar de todo o processo, da escolha do produto ao design da embalagem. A agenda, sempre cheia de compromissos, inclusive internacionais, ainda dificulta o meu trabalho. Também é complicado direcionar a marca para um público específico: meus produtos são usados por mulheres de entre 15 e 50 anos, de diversas classes sociais e regiões do país, além de fora do Brasil.

O que você aprendeu com a experiência de empreendedora?
Eu sou uma pessoa simples, não preciso de holofotes 24 horas por dia. Gosto mesmo é de trabalhar e sou ambiciosa, sim. Quero chegar mais alto, mas não quero ir sozinha. Todas as pessoas que estão comigo crescem juntas.

Que dicas você tem a dar para quem deseja empreender?
Trabalhar muito e focar o objetivo, ser atento e criterioso. Só vender um produto se realmente acreditar nele. É fundamental se atualizar e buscar o aprimoramento constante, ter ambição, vontade de crescer na vida e sonhar cada vez mais alto, mas com os pés no chão, sem esquecer de onde você veio. Tudo deve ser feito com cuidado e atenção. Vencer com as próprias forças e ter independência é importante, mas é essencial nunca subir sozinho, e sim propiciar o crescimento de quem está por perto.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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