O papel da classe C no mercado consumidor cresceu muito nos últimos anos e ganhou destaque em jornais e revistas. Mas, para Renato Meirelles, sócio-diretor da consultoria Data Popular, a nova classe média não é só um novo grupo de clientes, mas também de candidatos a empreendedores. Segundo dados da Data Popular apresentados ontem no Seminário Internacional sobre Pequenos Negócios, em São Paulo, 51,1% da nova classe média gostaria de ter seu próprio negócio.
Se contabilizarmos a população total, 2 em cada 10 brasileiros com mais de 18 anos têm planos para abrir um negócio próprio já no próximo ano, totalizando 25 milhões de pessoas. Para Meirelles, essa mudança acarretaria em uma mudança social ainda maior. “Se o emprego nos trouxe até aqui, o empreendedorismo nos levar adiante”, disse.
Entre 2003 e 2011, 40 milhões de pessoas passaram a ter renda familiar mensal entre R$ 1.734 e R$ 7.475, padrão da Fundação Getulio Vargas (FGV) para definir esse grupo de pessoas. Até 2014, a FGV espera que mais 13 milhões de brasileiros possam subir para esse patamar. Para o chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV, Marcelo Neri, o crescimento do país seria melhor em qualidade do que o chinês, pois está levando a uma menor desigualdade. Segundo Neri, a renda dos brasileiros que estão faixa dos 20% mais pobres cresce mais do que em qualquer um dos países do Brics.
De acordo com ele, há diversas formas de estimular a formação desses “nanonegócios”, como o especialista os chamou. Neri disse que é preciso investir no estímulo a microfinanças, formalização, educação formal, cooperativismo e assessoria mercadológica.
Mercado consumidor
Para quem já tem um empreendimento, o fundamental é compreender o modo como a classe C consome. “Ou você entende a lógica do que é consumo para essas pessoas ou você está de fora”, diz Renato Meirelles. Segundo o especialista do Data Popular, na classe C, a aquisição de produtos e serviços é muitas vezes vista como um investimento, diferindo das compras na classe alta, que têm, segundo ele, um caráter maior de ostentação.
Uma boa aposta é investir em serviços. Segundo dados da consultoria apresentados no seminário, houve uma migração de gastos com a aquisição de produtos para o mercado. Na nova classe média, de cada R$ 100 gastos, R$ 65,20 são desembolsados para a contratação de serviços, e R$ 34,80, para compras de bens.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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