Com tantos desafios e novidades que só uma criança nova em casa pode trazer, um negócio próprio pode significar para as mães a oportunidade de estar mais próximas dessas mudanças. Não é à toa que a cada dia surgem mais mulheres interessadas em empreender. Dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2012 mostram que as mulheres representam 49,6% dos empreendedores iniciais brasileiros, cerca de 9,2 milhões de mulheres no comando de suas empresas.
Em depoimentos a Pequenas Empresas & Grandes Negócios, três delas contam os desafios que enfrentaram para montar seus negócios, como conseguiram, com isso, passar mais tempo em casa e estar mais presentes no crescimento dos filhos.
Alessandra Piu Sevzatian, 41 anos, investiu em um site de aluguel de brinquedos.
É mãe da Mariana, 6 anos:
“Sou publicitária e trabalhei nesse mercado por 15 anos. Gostava do que fazia, mas nunca sabia a que horas chegaria em casa. Quando a Mariana nasceu, em 2007, eu queria voltar para casa e ficar com ela. Comecei a pensar em abrir um negócio durante a licença-maternidade, mas percebi que para empreender é preciso tempo, organização e planejamento. Sempre pensei no universo infantil e tinha feito uma pós-graduação na área anos atrás, sem imaginar que ela me ajudaria depois.
Com a vinda da Mariana, tive certeza de que queria empreender na área. Em uma viagem de férias com meu marido à Europa, conhecemos lojas de brinquedos educativos feitos de madeira, ainda raros no Brasil. Conheci também uma empresa de aluguel de brinquedos. Achei genial e guardei a ideia. Na época, eu trabalhava numa produtora online com a Ana Fauaz, minha sócia hoje. Ela se encantou com a ideia e sugeriu investir em algo sustentável.
Passamos a planejar um site de aluguel de brinquedos. Fizemos um plano de negócios realista. A aposta era grande: abriria mão de um salário fixo até que o investimento desse retorno. Estava trazendo para o Brasil um modelo inovador. Deixei meu emprego em abril de 2011 para me dedicar à Joanninha, empresa que fundei com a Ana em julho daquele ano.
É um serviço online e oferecemos frete gratuito para a entrega dos brinquedos. A criança fica com ele por 30 dias e depois tem a opção de trocar. A ideia é estimular a experiência com diversas brincadeiras. Também alugamos para festas, eventos e até para encontros com os amigos em casa. Começamos com 50 brinquedos fixos e hoje temos mais de 300. Contamos com 50 assinantes fixos – que alugam todo mês.
Ao empreender, equilibrei minha vida profissional com a pessoal. Pela manhã, fico na empresa e à tarde, em casa. Consigo pegar minha filha na escola e ir com ela a festinhas. Minha vida mudou completamente. Hoje sou uma mãe que brinca mais do que antes, pela qualidade e pelo tempo que tenho com ela. Ser mãe não impede ninguém de empreender e ter sucesso profissional. Há vários caminhos. Você só precisar se adaptar.”
Mãe de dois filhos, Aline Florenzani investiu em uma franquia da Seguralta
Aline Florenzani, 32 anos, investiu em uma franquia da Seguralta. É mãe de Carlos, 13 anos, e de Victor, 6 anos:
“Meu filho caçula tinha quatro anos e o mais velho, 13, quando tive um desejo enorme de começar a trabalhar. Até então, eu cuidava da casa e acompanhava de perto a educação deles. Como não tinha experiência profissional nem conhecimento específico, comecei a procurar franquias com o meu marido. A franquia era a opção segura, exatamente por me oferecer um suporte. Optei pela Seguralta, uma rede do mercado de seguros, porque eu poderia trabalhar de casa sem me distanciar das crianças – e porque meu marido conhecia a área e poderia me ajudar no negócio.
Com um investimento de R$ 10 mil, montei uma estrutura home based em março de 2010. No começo foi difícil porque tive de aprender a conciliar a vida de mãe com as novas funções e à noite ainda estudava. Fiz cursos e consegui tirar a SUSEP [documento de certificação da área de seguros].
Conseguimos clientes e o negócio cresceu mais rápido que o esperado. Em novembro do mesmo ano, aluguei uma sala e contratei duas funcionárias. Meu marido está sempre presente e ajuda diretamente. É um desafio conciliar todas as atividades, mas nunca deixo de me dedicar aos meus filhos. Se há reunião na escola, organizo meu horário para ir. Se tenho de levá-los ao médico, levo. Consigo fazer meus horários.
Quando você tem filhos, a responsabilidade de levar um negócio é muito maior. Você vai acabar correndo realmente atrás, fazer de tudo para dar certo, pensando no futuro que quer dar para eles. É uma motivação a mais, porque você sabe que só depende de você para dar certo.
Meu maior desafio é continuar crescendo. Quero estruturar melhor as funções, contratar mais funcionários e captar mais clientes. Tudo isso de forma planejada, pois pretendo ser mãe de novo. Meu sonho é ter três filhos.”
A empresária Cristina Buchain ensina a montar festas infantis
Cristina Buchain, 49 anos, empresária e consultora de festas infantis. É mãe de Victor, 17 anos:
“Sempre trabalhei com decoração e artesanato. Fazia cursos e produtos diversos, mas nada direcionado. Também cursei matemática, para ter um suporte administrativo – e porque gostava muito. Depois de me formar, comprei uma casa de festas. Desde o início, a proposta era promover festas menos barulhentas, com comida caseira e visual com temas diferentes e mais artesanais.
Como meu filho só tinha um ano, foi muito difícil, pois eu trabalhava demais. Queria estar com ele, mas tinha de trabalhar e acabei ficando muito distante do Victor. Sobrevivi porque o buffet em pouco tempo começou a ir bem e consegui contratar mais funcionários para me ajudar.
Durante os 13 anos em que o buffet funcionou, muitas pessoas me procuraram para saber como eu trabalhava e fazia festas diferentes. Foi então que tive a ideia de estruturar um novo negócio: porque não promover um curso para ensinar as pessoas a montar suas próprias festas? Eu mostraria a minha experiência e todas as opções de negócio que o universo de festas infantis oferece.
Em 2011, abri a empresa e comecei as aulas da primeira turma do curso “Como Realizar Festas de Sucesso”, em São Paulo. Mais de 50% dos meus alunos são mães, que querem empreender – seja para ficar mais perto do filho ou por não estarem satisfeitas no trabalho atual. Esse universo as encanta. Coisas de criança chamam a atenção quando você tem um filho. Por isso mesmo, muitas se jogam sem se preparar.
O meu curso é de orientação. Mostro a decoração, os brinquedos, a relação com os fornecedores, festas mais baratas. O mais motivador é acompanhar o nascimento de carreiras novas e receber ligações e e-mails de mulheres que conseguiram empreender. Tenho duas assistentes, uma sócia e a equipe de suporte (assessoria e divulgação). Estamos aumentando a estrutura e convidando parceiros para complementar a formação.
Às mães, sempre dou dicas para tentar não se envolver completamente no negócio. Em alguns casos, elas buscam a empresa própria para ficar mais perto dos filhos e o resultado é o inverso. Aconselho a montar uma estrutura com gerente e funcionários de apoio. Minha dica é: conheça o mercado, estude as possibilidades e faça o que você realmente pode.”
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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