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Empreendedorismo

As lições de empreendedorismo do Egito

04/04/2013

Um novo alvorecer. É assim que o empresário Sherif Ahmed Artisan descreve o cenário atual de empreendedorismo para os jovens no Egito. “Depois da Primavera Árabe, muitas companhias grandes resolveram investir em empresas de tecnologia em vez de fazer apenas doações”, afirma. “Os beneficiados são pequenos negócios que oferecem produtos, soluções e serviços inovadores.”

Segundo Edgar Leite, professor de história da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o Egito está passando por uma fase de transição em que forças modernizadoras ainda colidem com um histórico conservador. Ele explica que a forte estatização e a política islâmica, que proíbe a cobrança de juros, prejudicam a oferta de crédito e de investimentos, que ainda é complicada. “Isso não significa que o direito islâmico não tenha concebido mecanismos para criar um meio-termo”, afirma. “O dinheiro existe, mas ainda é demorado para consegui-lo.”

O Egito ocupa atualmente o 109º lugar no quesito facilidade para fazer negócios, de acordo com o relatório “Doing Business 2013”, realizado pelo Banco Mundial com 185 economias. O país está na 83ª. Posição para a facilidade para obtenção de crédito e em 145º lugar na quantidade de impostos (veja outros dados aqui).

Mas isso não impede jovens empreendedores de realizar o sonho de abrir um negócio e ao mesmo tempo mudar a realidade do país. “A questão do empreendedorismo também é política e as pessoas têm aspirações de crescimento”, afirma o historiador Leite. “O pequeno negócio é, universalmente, uma ferramenta de mudança.”

Esse comportamento dos jovens empreendedores vem criando alternativas para a concretização de suas empresas, ao atrair investimentos internacionais e iniciativas locais de financiamento, com o surgimento de aceleradoras. “Empresas como Google, Microsoft e Nokia estão de olho e investindo em universitários e suas empresas não só no Egito, mas em outros países do Oriente Médio e da África”, afirma o empresário Artisan. “O resultado? Um exército de pessoas talentosas.” Outros fundos de private equity também começam a abrir escritórios nesses países, prontos para investir em negócios nascentes e fugir de indústrias tradicionais para o setor de tecnologia.

O próprio Artisan é um exemplo dessa nova onda do empreendedorismo egípcio. Ao identificar essa nova realidade e todas as deficiências que foram evidenciadas com ela, ele fundou a Conectors Egypt, no Cairo, que ele define como a primeira “concierge de negócios” do Oriente Médio. A ideia é auxiliar empresas nascentes no processo de crescimento, fazendo contato com fornecedores e possíveis clientes, identificando oportunidades lucrativas e suprindo outras necessidades. “Nós tentamos eliminar a dor de cabeça associada à falta de recursos das startups e à ideia de que não há espaço para erro”, diz.

Uma linhagem de empreendedorismo
Para Nour Ahmadein, diretor de comunicações da aceleradora egípcia Flat6Labs, o empreendedorismo é algo que está na linhagem dos egípcios há muito tempo. “Nós somos inventores a partir de nossas necessidades, dificuldades econômicas e falta de dinheiro e recursos”, diz. Segundo ele, startups vêm se tornando mais comuns e ganharam mais visibilidade no país há apenas três anos. “Esse movimento também vem reconhecendo o sucesso de alguns empresários, que por sua vez querem passar seu conhecimento para os mais jovens”, afirma. Para ele, esse novo ciclo está dando poder aos novos empreendedores. “Ninguém consegue crescer sozinho”, diz.

A Flat6Labs surgiu em 2011, no Cairo, e acelera seis empresas por ciclo, cada um deles com um foco, tema ou mercado específico e com duração de quatro meses. Cada empresa recebe aproximadamente US$ 12 mil em capital semente em troca de 15% de suas ações. A aceleradora também oferece estrutura física para os escritórios das equipes na cidade de Gizé e uma rede ampla de contatos e mentores.

Muitas empresas aceleradas pela Flat6Labs têm foco nos problemas do país e um forte teor colaborativo. A Ekshef é um diretório de recomendações de médicos para que pacientes possam encontrar o melhor profissional; a Nafham condensa o currículo escolar do país em um único site e produz lições e aulas com voluntários; Fekra² é um site de crowdsourcing que ajuda empresas a criar competições para encontrar soluções criativas para seus problemas. “Nós selecionamos empreendedores apaixonados e que tenham ideias com soluções para problemas enfrentados no dia a dia”, afirma Ahmadein. “São empresas que também acabam beneficiando a comunidade.”

Ainda que se inspirem nos grandes polos, como o Vale do Silício, nos Estados Unidos, os empreendedores egípcios são um exemplo prático de que é preciso começar de algum lugar, mesmo que o ambiente seja extremamente adverso. “Nosso conselho seria: levante e haja de acordo com suas ideias”, diz Ahmadein. “Boa parte dos empreendedores de países em desenvolvimento já tem a vantagem de poder penetrar e se estabelecer em determinados mercados devido à falta de competidores”, diz. Ahmadein ressalta que muitas dessas economias buscam soluções nacionais em vez das importadas.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

As lições de empreendedorismo do Egito
Empresas do 2º ciclo da Flat6Labs participam de uma reunião


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