A Youca.st, startup fundada por Felipe Gazola em 2011, é uma plataforma que disponibiliza vídeos e textos feitos pelos internautas para serem utilizados pelas empresas de mídia. Jornalista e entusiasta da tecnologia, Gazola assistiu ao crescimento da tendência de criação colaborativa, proporcionada pela internet.
Ele sabia, também, desde a faculdade, que o mercado para profissionais de sua área se tornava cada vez mais difícil. A união desses dois fatores representava a oportunidade de mercado da Youca.st. Para as pessoas comuns, a startup era um meio para elas relatarem fatos noticiosos que presenciaram. Para as empresas jornalísticas, era a oportunidade de obter material exclusivo e de diversas regiões do Brasil.
Na cabeça de Gazola, todo o modelo fazia sentido. Mas era preciso confirmar se o mercado pensava o mesmo. Gazola precisou, então, validar as premissas de sua startup. É um exercício que todo empreendedor tem de fazer para saber se os potenciais consumidores também veem valor no produto ou serviço que ele oferece. Essa consulta ao mercado não precisa ser custosa.
Startups digitais não têm tempo nem recurso para contratar uma agência de pesquisa de mercado. Nesses casos, os próprios empreendedores devem assumir a tarefa e usar todo tipo de meio para obter uma avaliação: interação via internet, abordagem de pessoas nas ruas, conversas com empresas. Para a validação de cada premissa, Gazola se deu a meta de dois meses. Confira abaixo como ele fez seu dever de casa:
1. Plataforma de vídeo.
Quando lançada, em 2011, a startup tinha como objetivo ser uma plataforma para as pessoas postarem vídeos ao vivo, por meio de seus smartphones. A validação da premissa não precisou ir ao mercado. A própria equipe técnica da empresa testou a funcionalidade e a descartou. A tecnologia foi o empecilho. A qualidade ruim da internet móvel no país não permitia essa possibilidade. “A premissa foi descartada no momento”, diz Gazola. “Quem sabe com o 4G nós retomemos essa possibilidade.”
2. Produção de conteúdo
A segunda premissa a ser validada era o interesse de pessoas comuns em produzir conteúdo jornalístico e colaborar com os veículos de mídia. Nessa etapa, Gazola aproveitou um episódio que presenciou. Ao sair de uma reunião no Rio de Janeiro, ele se deparou com um incêndio. Dezenas de pessoas estavam filmando o trabalho dos bombeiros. Gazola diz que abordou um grande números de pessoas perguntando se elas produziriam vídeos sobre os fato que testemunham e se gostariam que o material fosse aproveitado por veículos de mídia. A resposta afirmativa de quase todas as pessoas validou sua premissa.
3. Remuneração da colaboração
A terceira etapa era descobrir se as pessoas que enviam vídeos e relatos jornalísticos o fazem para obter alguma remuneração. A resposta foi não. “As pessoas comuns querem o reconhecimento pela informação, querem participar do processo”, afirma Gazola. Para chegar a essa conclusão, ele disparou a pergunta para a pequena base de usuários que a Youca.st já possuía, formada a partir de algumas interações e eventos de que ele já havia participado.
4. Interesse dos veículos de mídia
Já ciente de que havia um público disposto a enviar material para a imprensa sem cobrar nada por isso, Gazola precisava averiguar se as empresas jornalísticas estariam interessadas em ter um serviço como o da Youca.st. Ele afirma ter feito reuniões com executivos e editores de jornais, revistas e sites. O retorno foi positivo. Os veículos se mostraram interessados em ter uma fonte de informação pulverizada pelo Brasil e capaz de chegar a locais onde a imprensa não está.
5. Relevância para jornalistas
Um veículo de comunicação encampar a ideia não significa que seus jornalistas também o façam. Gazola já havia validado a premissa no macrocosmo da imprensa, mas o que a linha de frente, os repórteres, pensavam disso? Eles estariam interessados nesse tipo de material? Tinham meios para receber o que foi enviado? Gazola disparou e-mails para uma leva de jornalistas perguntando se viam algum valor na plataforma do Youca.st. Esses profissionais poderiam ser os mais refratários à ideia, uma vez que o conteúdo gerado pela população não havia sido feito com critérios jornalísticos. A recepção, porém, foi boa. Os profissionais da imprensa afirmaram que a startup poderia fornecer um bom manancial de novas matérias. Os jornalistas também disseram que poucas vezes recebem os materiais enviados por seus leitores – na maior parte dos casos, eles ficavam perdidos na caixa de e-mail de alguém. De acordo com Gazola, uma plataforma que disponibilizasse esse material de forma organizada seria constantemente utilizada pelos profissionais da imprensa.
Fonte:Empresas e Negócios
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