Rio de Janeiro - Há oito anos na informalidade, Maria José Fortunato, dona de uma loja de roupas no Complexo do Alemão, na zona norte da cidade, ainda parece incrédula com a possibilidade de se formalizar como empreendedora individual (EI). “Parecia uma coisa impossível ter documentos certinhos e máquina de cartão de crédito. Nunca tive uma oportunidade como essa. Minha loja ficava mais fechada do que aberta por causa dos tiroteios”, relata.
Um ano depois da pacificação, o Empresa Bacana volta à comunidade em sua segunda edição. O circuito é uma parceria entre a prefeitura, o Sebrae no Rio de Janeiro e o Sindicato dos Contabilistas (Sescon) e reúne em um mesmo ambiente as três instituições. Assim, donos do próprio negócio como Maria José podem obter, em pouco tempo, o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) como Empreendedor Individual. O evento começou nesta terça-feira (13) e segue até sábado (17), na Vila Olímpica do Complexo.
A artesã Edna Nogueira, que faz biscuits, também procurou o Empresa Bacana logo no primeiro dia do evento. A perda de dois bons contratos por não emitir nota fiscal, para uma festa de casamento e um aniversário de 15 anos, a motivou a se formalizar. O que começou como terapia para combater a ansiedade, hoje representa 20% da renda familiar. “Só não fiz isso antes porque não sabia. Quando minha vizinha me contou, logo pensei: ‘vou virar empresária e serei mais respeitada pelos outros e por mim mesma também’”, comemora.
Para mostrar as vantagens da formalização, como benefícios previdenciários e acesso a crédito, além da possibilidade de emissão de notas fiscais, o Sebrae no Rio de Janeiro promoveu oito palestras e divulgou o evento em jornais, rádios e na TV da comunidade.
“No primeiro evento, em dezembro do ano passado, 70 negócios foram formalizados através do Empresa Bacana. A expectativa agora é que o registro de empreendedores individuais seja triplicado nesta edição", avalia o analista de Desenvolvimento do Empreendedorismo nas Unidades Pacificadas, José Luiz de Souza Lima, do Sebrae no Rio de Janeiro. Ao todo, o município do Rio de Janeiro já registrou mais de 90 mil empreendedores individuais. O censo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) feito pelo governo do estado, estima que o Complexo do Alemão tenha cerca de seis mil empreendimentos.
A percepção de Maria José sobre a melhora na vida e as perspectivas para os negócios, decorrentes do fim do domínio local pelo tráfico de drogas, refletem o sentimento de parte dos moradores. “Moro aqui há 40 anos e sempre foi uma vida sofrida. Só agora começo a perceber que tem gente nova circulando por aqui, sem medo. Então, meu negócio pode melhorar. Agora, quero ganhar dinheiro”, brinca.
Fonte: Sebrae
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