Natal - Quando o confeiteiro Geandro Lopes da Silva, de 27 anos, deixou para trás a estabilidade do emprego em uma multinacional e resolveu empreender, não imaginava que o seu talento para fazer tortas e sobremesas o posicionaria à frente de um negócio promissor. Ele é o proprietário da Dom Geandro Dolci, empresa que fornece guloseimas para festas, eventos, restaurantes e panificadoras. O crescimento do negócio, no entanto, só está sendo possível porque o confeiteiro resolveu se formalizar como Empreendedor Individual em novembro do ano passado.
Nos primeiros meses, ele praticou a atividade na própria residência, localizada no bairro Jardim Lola, em São Gonçalo do Amarante. O faturamento girava em torno de R$ 1,5 mil por mês, mas o negócio começou a prosperar com o aumento da base de clientes. Em apenas sete meses de atuação, o faturamento mensal cresceu e já é superior a R$ 5 mil. Agora, Geandro Lopes conta com um funcionário contratado, responsável pelo manuseio das massas.
A intenção do empresário é entrar 2013 enquadrado na categoria de pequena empresa. “Meus planos são fazer o negócio prosperar e ultrapassar os R$ 60 mil de faturamento anual. O objetivo é virar uma pequena empresa”. Para isso, locou um prédio, maior do que a cozinha de casa e apropriado para o funcionamento da empresa. Também está pleiteando financiamento junto ao Banco do Nordeste para a aquisição de equipamentos. “Quero comprar primeiro uma seladora e, quem sabe, uma amassadora automática, que custa cerca de R$ 15 mil”, planeja.
Para Geandro, a maior vantagem da formalização como EI foi a possibilidade de emitir nota fiscal e ter o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). “O mercado está muito formal e exige compra e venda com notas fiscais. De posse desse documento, pude comprar insumos, como chocolate, direto da fábrica em São Paulo, sem atravessadores. Isso barateia muito os custos”, destaca.
A formalização também o ajudou a ter uma visão mais empreendedora, tanto que já está desenvolvendo, com o apoio do Sebrae no Rio Grande do Norte, uma logomarca, rótulos e embalagens especiais para os produtos, como a torta de brigadeiro, a preferida dos clientes. “Passei a me ver como empresa e aprendi a gerir melhor meu negócio, pois a formalização obriga você a se organizar”, conta o empreendedor.
Incentivo
Os profissionais autônomos que desejam se tornar EI terão um incentivo a mais. A partir da próxima segunda-feira (2), o Sebrae realiza a Semana de Formalização do Empreendedor Individual, que, no Rio Grande do Norte, terá palestras, oficinas e capacitações voltadas a esse público. Em Natal, os atendimentos poderão ser feitos na praça Gentil Ferreira, no Alecrim, e na sede do Sebrae.
O mesmo acontece em Mossoró, que terá tendas montadas na praça do Pax, no Centro. Nas demais regiões, haverá programações nas cidades-polo e atendimentos itinerantes nos municípios vizinhos e naqueles com potencial para formalizações. A meta é cadastrar 1,1 mil empreendedores no estado e realizar 4,4 mil atendimentos.
Para se tornar empreendedor individual, o profissional precisa trabalhar por conta própria, faturar até R$ 60 mil por ano e ter apenas um funcionário contratado com carteira assinada. O interessado não pode participar como sócio em qualquer empresa nem ter mais de um estabelecimento. Depois da adesão, os empresários passam a ser optantes do Simples Nacional.
Dentre os benefícios da formalização está a cobertura previdenciária, que permite aposentadoria por idade, salário-maternidade, auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, pensão por morte e auxílio-reclusão. Para ter direito a essas garantias, o EI precisa pagar mensalmente uma taxa de contribuição previdenciária, que pode chegar a R$ 37,10, dependendo da atividade exercida.
O empreendedor também recebe um CNPJ e passa a emitir notas fiscais, o que abre a possibilidade de participar de licitações e compras públicas. Também pode obter financiamento em instituições bancárias com taxas de juros mais competitivas e com prazos mais alongados, graças a linhas de crédito criadas especificamente para essa categoria jurídica. Tornando-se EI o empresário fica dispensado de escrituração fiscal e contábil, de emitir notas fiscais a pessoas físicas e também de vistorias prévias, no caso de exercer atividades de baixo risco. A formalização também pode ser feita pela internet, por meio do site.
Fonte: Sebrae
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