presidente da Finep, Glauco Arbix, anunciou na última segunda-feira (20), em Fortaleza (CE), que espera ampliar o crédito direcionado para empresas inovadoras. Hoje cerca de 60% dos recursos da agência são aplicados em universidades e centros de pesquisa, mas a ideia é, segundo ele, inverter gradativamente essa proporção.
Para se ter uma ideia, dos R$ 4 bilhões investidos em inovação em 2010, R$ 1,2 bilhão foi para empresas, via crédito reembolsável. O restante, oriundo do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), foi direcionado para pesquisas em universidades e instituições de ciência e tecnologia. Vale lembrar que os recursos do fundo também atendem empresas por meio de subvenção econômica.
“A discussão sobre transformar a Finep em um banco diz respeito justamente a essa relação”, falou durante a 11ª Conferência da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), realizada em Fortaleza (CE). “Queremos ter mais transparência na gestão, aperfeiçoar o marco legal, aumentar os investimentos e melhorar os procedimentos”, completou.
Espera-se com isso elevar o percentual aplicado pelas empresas em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que patina atualmente nos 0,57% do Produto Interno Bruto (PIB). Somada a participação do setor público, o país aplica 1,2% do PIB, ou seja, US$ 25 bilhões, ante US$ 400 bilhões direcionados nos Estados Unidos (2,7% do PIB).
“No setor público estamos dentro do padrão internacional. Um pouco abaixo da Coréia e dos EUA, mas vamos passar rapidamente Portugal, Espanha e Inglaterra. Mas no setor privado, estamos muito aquém. Esse valor inclui a Petrobras, ou seja, se tirarmos a petrolífera a nossa situação é insustentável”, avaliou o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante.
Na opinião de Arbix, para elevar a competitividade, o Brasil precisa de investimentos anuais em inovação da ordem de R$ 50 bilhões, somente via Finep. A meta não é aleatória, mas segue o padrão dos aportes feitos por países avançados, que mantêm investimentos generalizados em infraestrutura, capital de giro, modernização, gestão e inovação.
“Essa é a necessidade do Brasil. Se vamos fazer como um banco ou não é uma questão que está em aberto. O que nós sabemos e estamos trabalhando para isso é que do jeito que o Brasil trabalha hoje, não vamos conseguir esse montante. Não só porque dificilmente nós teremos oferta, mas porque dificilmente teremos demanda”, falou.
Entretanto, Arbix chamou atenção para a qualidade da inovação gerada em solo brasileiro. De acordo com ele, os créditos cresceram muito nos últimos anos. Em 2003, o volume direcionado foi de R$ 300 milhões e atendeu entre 60 e 70 empresas. Em 2010, o aporte foi de R$ 4 bilhões, atingindo duas mil instituições, ou seja, nos últimos sete anos o crescimento foi de 1.233,33%.
Mas a qualidade dos projetos, na opinião do presidente da Finep, não acompanhou esse ritmo, e apresentaram um diferencial muito baixo. “Precisamos avaliar os resultados desse dinheiro que estamos despejando na economia, até que ponto os recursos estão sendo colocados no lugar certo”, disse.
De acordo com ele, é preciso analisar, por exemplo, se a aplicação está sendo pulverizada ou se as empresas estão encontrando dificuldade para transformar essa verba em inovação de fato. A meta da financiadora é nos próximos quatro anos duplicar a capacidade de crédito, atingindo R$ 8 bilhões.
Fonte : Gestão C&T
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