Você marca reuniões, usa roupa social, trabalha no escritório. Eles nadam, discutem táticas, treinam nas piscinas e nas quadras. Mas não se engane. A vida de empreendedor e a de atleta não diferem tanto assim. Por isso, esportistas de sucesso dedicam-se também à gestão de um negócio próprio. E afirmam: as lições que aprenderam durante os treinos e as competições colaboram para o sucesso do exercício de empreender.
Gustavo Borges
O nadador, que completará 40 anos em dezembro, conquistou quatro medalhas olímpicas e 19 pan-americanas. Na competição de Atenas, em 2004, Borges decidiu encerrar a carreira nas piscinas. Desde então, dedica-se à rede de academias de natação Gustavo Borges, que já conta com cinco unidades em São Paulo. Ele também fornece o licenciamento de seu método no esporte: clubes, academias ou escolas podem receber suporte no atendimento ao cliente e na técnica pedagógica, além de usar a marca do nadador.
Essa transição para os negócios foi facilitada pelos valores adquiridos ao longo da carreira de esportista. Um deles é a determinação. “Ir atrás do resultado e ter força de vontade para atingir os objetivos é muito importante”, diz Borges. Outra lição é aprender a conviver em equipe. “É preciso confiar nas pessoas que trabalham com você, tanto na vida de atleta quanto na de empreendedor”, afirma. Para ele, saber lidar com o time facilita a conquista de resultados.
Um desafio é comum às piscinas e à administração de academias: saber gerir o tempo em função das prioridades. Diariamente, o treinador estabelece a quantidade de horas de exercício. Cabe ao atleta buscar a máxima eficiência. O mesmo ocorre no empreendedorismo: deve-se estipular o tempo disponível, e, a partir disso, organizar as tarefas que precisam ser executadas emergencialmente.
Gustavo Borges também ministra palestras motivacionais em empresas. Ensina os principais ingredientes da vida de atleta e de empreendedor: ter um sonho, trabalhar com excelência e celebrar as conquistas. “O comprometimento é o início de tudo. Não adianta ficar parado. Todo esportista e todo empreendedor precisam ser proativos”, diz.
Fabiola Molina
A nadadora da seleção brasileira Fabiola Molina, 37 anos, concilia a carreira de atleta com a de empreendedora. Quando era adolescente, não se conformava em ter de usar os tradicionais maiôs para treinar e competir. Como ela costumava ficar exposta ao sol, seu corpo inteiro era bronzeado, menos a área da barriga, coberta pela roupa de banho. Aos 17 anos, a vaidade juvenil fez com que esse incômodo crescesse: entrou em contato com a mãe de uma amiga para que ela costurasse sunquínis (biquínis mais largos). E a moda pegou. As outras nadadoras também queriam as peças inovadoras. Fabiola juntava algumas na mala e levava para vendê-las nas competições nos Estados Unidos.
Em 2004, o negócio firmou-se. A mesma costureira e os pais da nadadora ajudaram a fundar a empresa com catálogo e coleção completa. Em setembro, abriram a primeira loja. No ano seguinte, o e-commerce permitiu que 35% das peças fabricadas em São José dos Campos fossem exportadas para a Europa.
Fabiola dá uma dica aos empreendedores: tenham um objetivo. “Um esportista pode querer ir para as Olimpíadas. O que fazer para atingir a meta? Diminuir três segundos do tempo recorde, por exemplo”, afirma a nadadora. Para ela, o mesmo ocorre na carreira de negócios. É importante traçar uma estratégia para satisfazer as ambições. “Estipulei quantas peças queria produzir mensalmente e comecei a pesquisar técnicas de fabricação mais eficientes”, diz.
Outra lição que Fabiola aprendeu no esporte e aplicou na carreira empreendedora é criar um ambiente agradável. O atleta passa muitas horas em companhia do treinador. Se não tiver um bom relacionamento com ele, trabalhar irá se tornar desagradável. Atualmente, 21 costureiras integram o time da atleta. “Sempre as oriento para que o clima seja bom. Sem sintonia, não há prazer. E issoafeta a produção”, diz.
Nalbert Bitencourt
Ser capitão da seleção brasileira de voleibol ocupou quase que integralmente o tempo de Nalbert Bitencourt, durante a carreira como atleta. Foi o primeiro jogador na história do voleibol a conquistar o título mundial nas três categorias (infanto-juvenil, juvenil e adulto). Ganhou o ouro duas vezes na Liga Mundial e uma na Olimpíada de Atenas, em 2004. Enquanto impressionava no esporte, guardava e aplicava dinheiro, pensando no dia em que abandonaria as quadras. Em 2010, aposentou-se do vôlei. “O leque de investimentos passou a ser maior”, conta. Foi quando empreendeu no ramo de alimentação. Após uma experiência frustrada, Nalbert hoje é sócio de um dos restaurantes da rede carioca Da Silva. A família que administra o negócio é também proprietária do Antiquarius, restaurante no Rio de Janeiro. O empreendimento de Nalbert é uma versão bufê, com o mesmo cardápio e os mesmos chefs do original.
O jogador transfere valores que aprendeu no esporte à carreira de empresário: disciplina, planejamento, organização, foco, liderança. “É preciso acordar e pensar: ‘trabalharei com excelência’”, diz. E estabelece uma comparação: o atleta, mais que o empresário, tem resultados imediatos. Se não treinar e não se dedicar integralmente, será derrotado no jogo do fim de semana. O oponente, que representa a concorrência das empresas, vencerá. Nos negócios, o retorno pode ser mais demorado. Mas a devoção também é essencial.
Saber aprender com a derrota é relevante. De 420 partidas disputadas, Nalbert conquistou 350 vitórias. “Mas houve vezes em que perdi e precisei reunir forças para seguir em frente”, diz. Outra dica que pretende seguir futuramente é empreender na área que domina. “Estou estudando para entrar no ramo do marketing esportivo. O campo será enorme nos próximos anos”, afirma.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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