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Empreendedorismo

Embraer teme nova crise na aviação internacional

21/03/2011

Uma nova ameaça ronda o setor aeronáutico mundial e já preocupa os executivos da Embraer, de São José dos Campos, que ainda se recupera dos efeitos da crise financeira de 2008.

A fabricante, que na época demitiu 4.273 trabalhadores e reduziu sua produção em 30%, teme ser obrigada a rever seu planejamento de vendas para este ano, segundo informou ontem Paulo César de Souza e Silva, vice-presidente executivo para Aviação Comercial, durante evento na sede da empresa.

O motivo é a alta no preço do barril de petróleo, que já subiu 30% desde novembro em função da crise no Oriente Médio, região onde estão 67% das reservas mundiais.

Desde o início do ano, Egito, Tunísia e Líbia vivenciam revoluções populares contra seus governos que acabaram refletindo na economia.

Com isso, o ‘efeito cascata’ é inevitável. Com o petróleo em alta, o preço do combustível sobe e afeta o custo das companhias aéreas.

A alta é repassada às passagens aéreas, a demanda cai e as companhias são obrigadas a rever seus planos, principalmente a compra de aeronaves para expansão de mercado. De acordo com o executivo da Embraer, o impacto da alta do petróleo enfraquece toda a indústria do setor.

“Entretanto, temos que esperar um pouco para ver se o valor do petróleo vai subir mais, vai se estabilizar ou se diminuirá ao patamar que era antes da crise no Oriente Médio. Temos que evitar uma outra crise, a qual não podemos controlar”, afirmou.

A empresa vendeu no ano passado 90 jatos comerciais e a expectativa inicial para este ano era de 100 unidades. “Deve haver uma recuperação na aviação comercial. Não chegamos a rever nossa expectativa, mas existe uma cautela no mercado”, afirmou o executivo.

Cadeia. A crise financeira que obrigou a Embraer a reduzir sua produção não afetou somente a fabricante mas toda a cadeia produtiva local, formada por mais de 80 empresas e pelo menos 3.500 funcionários. Antes da crise, a quantidade de trabalhadores no setor era de cerca de 5.000.

A fabricante esperava para o final deste ano e início de 2012 a recuperação plena do mercado, que poderia retornar aos patamares pré-crise apontados até o primeiro semestre de 2008. No entanto, a nova ameaça já preocupa a cadeia local.

Passagens. O preço das passagens deve subir em breve, confirma Pedro Janot, presidente da Azul Linhas Aéreas, que opera aeronaves da família Embraer no Brasil.
“Ainda não sabemos se vai existir esse reajuste, mas no setor de cargas houve alta entre 8% e 9%. Temos que analisar a quantidade de passageiros que utiliza a companhia e aguardar”, afirmou.

A Azul opera hoje com 31 aeronaves da Embraer em 230 voos diários.

Agravante. A tragédia no Japão é outro fator que pode agravar o mercado mundial de petróleo.

“A turbulência que atingiu o Japão aumenta a necessidade de petróleo para geração de energia naquele país. À medida que há mais procura, quem vende, pode pedir mais caro pelo produto devido à escassez”, afirmou Creomar Lima Carvalho, analista político e professor de relações internacionais do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) de Brasília.

EMPRESÁRIOS JÁ AVALIAM REFLEXO NA CADEIA LOCAL
São José dos Campos


Na região, empresários e lideranças já temem pelo impacto da alta do petróleo na aviação mundial e, como consequência, na cadeia local.

Para Agliberto Chagas, diretor do Cecompi (Centro para a Competitividade e Inovação do Cone Leste Paulista), a cadeia produtiva local pode sofrer as consequências de uma nova crise mundial.

“A matriz energética mundial ainda depende do petróleo. A possibilidade de uma crise de longa duração já preocupa alguns setores”, disse.

José de Mello Corrêa, secretário de Desenvolvimento Econômico de São José, diz que teme que episódios como demissões e redução na produtividade da Embraer ocorridos em 2009 possam acontecer novamente.

“Mas acreditamos que ainda há espaço para trabalhar e sabemos que os aviões da Embraer têm bom rendimento quanto ao índice passageiro/combustível”, disse.

Mercado. Luis Scalioni, analista financeiro da empresa Conexão Br, de São José, disse que, se os mercados produtores de petróleo não se unirem, a alta no preço do barril desencadeará uma inflação com impacto em outros setores da economia mundial, até no preço dos alimentos.

“Tudo está interligado. Em 2010 aconteceu algo parecido, mas a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) fez uma intervenção. Isto deve acontecer em breve para evitar mais problemas.”


Fonte: O Vale


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