Apesar do momento de crise alardeado pelos economistas, o empreendedor brasileiro continua confiante no país. A informação foi revelada hoje (18/09) pela pesquisa do Índice de Confiança dos Empresários de Pequenos e Médios Negócios no Brasil, feita pelo Banco Santander em parceria com o Insper.
O indicador, que mede a confiança futura de empresas com faturamento anual de até R$ 80 milhões, que representam cerca de 20% do PIB, e 60% das empresas exportadoras, mostrou queda na confiança de 1,3% em relação ao terceiro trimestre do ano, sendo70,1 pontos contra 71 pontos (de 0 a 100).
O resultado também é inferior ao registrado no quarto trimestre de 2012, quando o índice alcançou 74,6 pontos. Foram ouvidos 1403 microempresários de todas as regiões do país em relação à expectativa da economia brasileira, o ramo do negócio e o próprio negócio.
A queda na confiança pode ser observada em cinco das seis áreas investigadas pela pesquisa: economia; faturamento; lucro; empregados e investimento, com destaque para este último item, em que o indicador caiu de 68,1 pontos no terceiro trimestre para 65,6 no quarto trimestre. A contratação de novos empregados também apresentou queda significativa, passando de 62,2 pontos para 60,7 pontos. Já a confiança relacionada ao seu próprio ramo de atividade apresentou uma ligeira alta, subindo de 74,7 no 3º trimestre para 75,0 no último trimestre do ano.
Por ramo de atividade, a maior queda na confiança foi verificada entre os empresários da indústria, cujo índice atingiu 69,1 pontos ante 71,8 pontos no trimestre anterior. O setor de serviços manteve a confiança estável em 71,2.
Os empresários das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste mostraram-se menos otimistas com a economia nacional. Na região Centro-Oeste, por exemplo, a queda da confiança foi de 5,2%. Já os empresários das regiões Norte e Sul encontram-se mais otimistas. A região Sul apresentou o aumento mais significativo da confiança, em 1,8%
Essa queda do otimismo, para José Luiz Rossi Junior, professor e pesquisador do Insper, é reflexo da incerteza que ronda a economia brasileira e mundial, na perspectiva de crescimento e da variação do câmbio. Segundo o professor, o índice de 70,1%, mesmo sendo mais baixo que o trimestre anterior, ainda reflete otimismo do pequeno e médio empresário.
A economista Adriana Dupita, do Santander, indica que um bom caminho para apostar em um crescimento maior do que o do PIB, previsto para apenas cerca de 2% este ano, é investir em uma gestão mais eficiente e escolher linhas de crédito mais adequadas ao negócio. “As pequenas empresas costumam crescer mais que o PIB geral do país”, avalia.
Para Rossi, a alta do dólar não tem impacto direto nessas empresas como tem nas grandes, pois os pequenos e médios negócios dificilmente têm dívidas em moeda estrangeira. No entanto, podem influenciar indiretamente. “Essa pode ser uma explicação para uma maior confiança das empresas do Sul do país, já que muitas são exportadoras e se beneficiam com essa alta”, explicou.
Já no Centro Oeste, em que muitos negócios são da área agrícola, a pressão inflacionária, maior endividamento e a incerteza do crescimento contínuo do país podem ter influenciado na confiança do microempresário. “Em empresas menores há mais dificuldade de se repassar custos, e isso acaba refletindo no índice”.
Para José Roberto Machado, diretor de Segmentos do Santander, essa queda de confiança não está atrelada à burocracia para se conseguir crédito no país, mas a fatores macroeconômicos. “Hoje há muitas linhas de crédito para cada tipo de negócio, isso não é entrave para o crescimento”, opinou.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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