A participação das mulheres no empreendedorismo foi o tema das palestras de abertura do evento Mulheres Empreendedoras, promovido hoje (12/11) pela Microsoft, com a curadoria da Pequenas Empresas & Grandes Negócios e o apoio da FedEx e da Fundação Getulio Vargas. O evento foi realizado na sede da Microsoft em São Paulo.
A empreendedora Ana Fontes, fundadora do espaço de coworking MyJobSpace, analisou os resultados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor de 2011. De acordo com o levantamento, o Brasil é o terceiro país com o maior número de empresas no mundo. São 27 milhões de pessoas à frente de um negócio ou envolvidas na criação de um empreendimento.
As mulheres são 49% dos empreendedores em estágio inicial – o quarto maior índice entre os países pesquisados pelo GEM. Para Ana, as brasileiras têm o empreendedorismo entre as suas opções de carreira principalmente pela flexibilidade. “Ter alguém que é dono do seu tempo é a parte mais triste do mundo corporativo”, disse. Outra razão para que elejam a atividade é a independência financeira.
De acordo com a pesquisa, as empreendedoras trabalham em média 5 horas a mais do que os homens. São 58 horas semanais, 36 fora e 22 dentro de casa. As empresas gerenciadas por mulheres faturam 32% a mais do que as masculinas. “Somos mais emocionais, temos uma liderança mais colaborativa. Valorizamos o conhecimento e buscamos apoio em programas de desenvolvimento e projetos”, afirmou Ana.
Vera Lucia Lima, gerente sênior de operações da FedEx, apresentou mais dados sobre empreendedorismo feminino. De acordo com levantamento realizado pela empresa de logística, há mais empreendedores na América Latina do que em outras regiões – 39% das empresas pertencem a mulheres. No Brasil, 11% das empresas têm mulheres em cargo de CEO. No México, nenhum dos negócios pesquisados é liderado por mulher. “Como a gente alavanca a presença feminina? Com educação”, disse Vera. “Somada com a experiência prática, além de oportunidades, é um fator de sucesso.”
De acordo com o estudo da FedEx, há uma correlação positiva entre o negócio ser gerido por mulheres e a performance da empresa. “Elas reinvestem o que aprendem em suas famílias, comunidades e negócios, e isso cria um efeito multiplicador.” Segundo Vera, as mulheres tendem a aplicar uma parte maior de suas receitas em educação e saúde, e elas são vistas como modelo em seus ambientes. Elas também contribuem com novas percepções de oportunidades de negócios. “Veem facetas dos desafios que muitos homens não enxergam, com novas formas de gerenciamento e liderança.”
Cristina Palmaka, diretora de canais do consumidor da Microsoft, ressaltou que as mulheres são menos agressivas no mercado de trabalho. “Se há uma vaga aberta, aparecem dois ou três garotos dizendo que estão interessados. Já as mulheres ficam esperando ser convidadas”, disse a executiva. Na Microsoft, o grupo Women In Leadership Brasil, lançado hoje, tem o objetivo de inspirar as novas gerações de mulheres, trabalhando o networking de forma positiva com programas de mentoring e coaching. “A gente tem o pequeno objetivo de mudar o mundo”, afirmou Palmaka.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negegócios
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