De acordo com o International Business Report (IBR) 2011, 44% das empresas globalmente disseram ser a favor de um maior investimento governamental em energias renováveis ou alternativas. Os dados refletem a preocupação dos empresários no mundo com a instabilidade no Oriente Médio e norte da África e seu impacto sobre o preço do petróleo. A pesquisa é feita com mais de 11.000 empresas em 39 economias anualmente, que representam 81% do PIB mundial.
No Brasil, apenas 34% dos empresários apóiam um investimento maior do poder público no segmento, ao contrário de países como Chile e Argentina, onde o percentual foi de 63% e 54% respectivamente. Regionalmente, na América Latina, 41% do empresariado acha que o governo deve investir mais, resultado um pouco abaixo da média global, porém acima dos 38% e 36%, respectivamente, da União Européia e dos países do BRIC.
O maior apoio é o dos países que fazem parte da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, sigla em inglês) com 61%, seguidos das economias da Ásia Pacífico com 52%.
A medida que a intensidade da primavera árabe, conhecida como a série de revoltas contra regimes autoritários no mundo árabe, aumenta o preço do petróleo também cresce. O barril tipo Brent chegou a US$ 125,00 em abril, uma elevação de US$ 85,00 com relação ao registrado no começo do ano. Os desacordos entre as nações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) sobre um aumento da oferta persuadiram a Agência Internacional de Energia a liberar mais de 60 milhões de barris das reservas de emergência, porém a pesquisa sugere que as empresas estão ávidas por explorar fontes de energia mais sustentáveis.
Como reflexo desse cenário, muitas empresas estão dispostas a suportar os custos de curto prazo que esses investimentos poderiam criar – 51% dos entrevistados disseram que aceitariam custos de energia mais altos no curto prazo para reduzir a dependência do petróleo em sua economia e ter preços mais estáveis no longo prazo. O Brasil está na contramão, com 52% dos empresários dizendo que suas companhias não estão dispostas a tolerar, mesmo em um curto prazo, custos mais altos.
O resultado brasileiro é exceção na América Latina, onde esse percentual é significativamente maior que a média global em três de suas quatro economias. A Argentina tem o maior percentual de empresários que aceitariam mais custos (80%), atrás apenas das Filipinas e Suíça com 82%. Chile e México também evidenciam uma boa aceitação com 78% e 74%, respectivamente.
“Os acontecimentos parecem ter despertado as empresas para um desafio de procurar fontes mais sustentáveis de energia. È muito positivo ver tantas empresas dispostas a aprovar investimentos adicionais no segmento renovável, mesmo gerando um aumento de custos de energia no curto prazo em suas companhias. No Brasil, essa consciência ainda precisa melhorar muito. Os resultados devem servir como um recado para os governos e organizações internacionais de que a dependência econômica do petróleo é um problema que deve ser solucionado”, diz Javier Martinez, responsável pelo IBR na América Latina.
Fonte: Incorporativa
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