Brasília - Tempo para curtir os filhos, aumento nos lucros e expansão dos negócios. Não é ficção. É o que o investimento em educação empreendedora vem trazendo a alguns donos de pequenos negócios que decidiram voltar para a sala de aula, planejar e colocar em prática os conhecimentos adquiridos nos mais diversos cursos voltados ao empreendedorismo. Somente o Sebrae oferece atualmente mais de uma dúzia de cursos, desde a educação infantil até o público adulto. Existem cursos e consultorias voltados exatamente para aqueles que investem ou pretendem abrir seu próprio empreendimento. E eles têm atraído cada vez mais o empresariado na certeza da rentabilidade desse tipo de investimento: após apostar em educação empreendedora, esses donos de pequenos negócios têm registrado crescimento de até 70% em suas atividades.
Até esta quarta-feira (29), estão reunidos em Brasília educadores, especialistas internacionais, empreendedores e reitores de universidades para discutir a importância da educação empreendedora. O Encontro Nacional de Educação Empreendedora vai focar no desenvolvimento do comportamento empreendedor como parte da formação de novos profissionais. “A sociedade contemporânea exige pessoas empreendedoras, autônomas, com competências múltiplas, que saibam trabalhar em equipe, tenham capacidade de aprender com situações novas e complexas, que enfrentam novos desafios e promovem transformações”, afirma o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.
Investir na educação empreendedora foi, por exemplo, um divisor na vida do empresário Marcos Rozzato, de 34 anos, dono da Belare, duas clínicas de estética com foco em foto depilação com preço fixo. Ele viu a carreira empresarial dar uma guinada após fazer o Empretec, metodologia da Organização das Nações Unidas (ONU) para o desenvolvimento de competências empreendedoras e carro-chefe dos cursos oferecidos pelo Sebrae a empresários.
Marcos conta que uma das primeiras decisões que tomou após o curso foi aderir ao sistema de franquias. E não se arrepende. Até junho deste ano, estarão de portas abertas cinco fraqueados, sendo quatro na capital paulista e uma em Ribeirão Preto, interior do estado. “O Empretec fez com que eu seguisse o sonho de firmar a marca no mercado. Reestruturei a empresa com foco nas metas e estou colhendo frutos”, afirma. E completa: “logo após o Empretec, minha empresa cresceu 70% em faturamento”. As duas clínicas atendem por mês quase 700 clientes.
Uma pesquisa inédita feita pelo Sebrae com quase dois mil empreendedores do Empretec aponta que os participantes tiveram um crescimento no seu lucro líquido anual de 7,4% e aumento médio de faturamento mensal de R$ 24,6 mil. Esse aumento, segundo cerca de 90% do público entrevistado, foi resultado da implantação imediata - logo após a conclusão do seminário - de mudanças em produtos e serviços aprendidas durante o seminário.
Gestão ambiental
Para a Cunha Alimentos, o crescimento dos lucros veio com o investimento no estudo de gestão com foco na inovação, cursos de boas práticas e de gestão financeira. A empresa cresceu depois que acrescentou um diferencial ao negócio. O negócio começou em 1996 com três funcionários e a vontade de dar certo. Os salgados, que levam a marca Twin Peaks, eram vendidos apenas para pequenas lanchonetes de Campinas (SP). A produção diária era de 50 kg, o que rendia R$ 10 mil de faturamento mensal. A conta de luz era alta e o gasto com água também pesava no bolso do casal Murilo e Sueli Cunha.
Depois de 11 anos de trabalho, eles decidiram investir e crescer. O casal comprou um terreno em Valinhos, na região metropolitana de Campinas, onde instalou uma fábrica. A nova unidade já começou apostando na sustentabilidade. Murilo se inspirou nos conceitos da antiga profissão de engenheiro e contou com ajuda do Sebraetec, metodologia de gestão com foco na inovação tecnológica, cursos de boas práticas na produção de alimentos e de gestão financeira para adequar a produção.
Depois do curso, ele instalou placa solar para aquecimento da água utilizada no preparo dos alimentos e um sistema de captação de água da chuva, que é jogada em uma cisterna e usada para a limpeza dos ambientes da indústria. “Os cursos tiveram papel importante na mudança de rumo da empresa. Eles me conduziram, de certa forma, à gestão ambiental”, lembra. As medidas adotadas pela empresa foram certeiras. Hoje, a produção diária de mais de 70 tipos de salgados e massas é de 2,5 toneladas e o faturamento é de R$ 330 mil por mês. São 40 funcionários que abastecem a cozinha de multinacionais e hotéis instalados no estado de São Paulo.
Lazer
Aos 44 anos, Almir Buganza já não coloca mais a mão na massa. Também por meio da educação empreendedora aprendeu gestão financeira e de marketing. “A partir daí, mudei minha postura em relação aos meus negócios. Agora me dedico ao gerenciamento e não coloco mais a mão na massa”, afirma. Hoje ele é dono de três empresas em Sorocaba, no interior de São Paulo. A primeira abriu há 14 anos, a segunda há oito e a terceira será inaugurada em junho deste ano. Ele trilhou uma bem-sucedida carreira no mundo dos negócios e credita o sucesso à participação do curso de desenvolvimento de fornecedores, que faz parte do programa da Gerdau em parceria com o Sebrae.
Segundo ele, após o curso, o negócio dobrou de tamanho e faturamento, mas o empresário não sofre mais com a falta de tempo, tão comum no meio empresarial. Para Almir, o expediente encerra às cinco da tarde e ele se dá ao luxo de terminar o dia no clube. “Há dois anos, tinha duas empresas e não tirava férias nunca, não tinha vida pessoal", diz. "Hoje, são três, e consigo me dedicar a projetos sociais com os quais sempre sonhei e não tinha tempo". A família dele também comemora. Casado e pai de uma filha de 13 anos, Almir dedica mais tempo ao lar. “Antes, não parava em casa. Agora, elas dizem que eu perturbo”, brinca.
A empresária Viviana Vargas, de Magé (RJ), se capacitou ainda na universidade. Em 2006, participou do Desafio Sebrae, jogo em que estudantes do Ensino Superior aprendem a tomar decisões empreendedoras. Na época, Viviana era estudante de Educação Física. Despois do jogo, se encantou com Administração de Empresas e mudou de curso. Atualmente é sócia do irmão em uma empresa de consultoria, que executa gerenciamento de projetos. “O Desafio Sebrae me ensinou a tomar decisões de forma ágil e segura. Usei todos os ensinamentos adquiridos no jogo no curso de Administração e aplico os conceitos no meu negócio”, revela. A empresa VVConsulting está situada em Rio das Ostras (RJ).
Fonte: Sebrae
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