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Empreendedorismo

Empresas brasileiras de software já nascem globais

21/07/2008

A velha crença de que as empresas precisam primeiro se tornar gigantes antes de ganhar o mundo está com os dias contados.

Quase a metade das pequenas e médias companhias brasileiras de software já nascem globais, revela pesquisa do Instituto de Pós-graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead).

'Em vez de esgotar o mercado interno e depois se internacionalizar, como ocorreu com empresas como Petrobrás e Embraer, por exemplo, essas pequenas e médias companhias percorrem um atalho para atingirem o mercado externo', afirma o responsável pela pesquisa, que acaba de ser concluída, Luís Antonio Dib.

De uma amostra de 79 empresas brasileiras de software de pequeno e médio portes analisadas, 44,3% já nasceram globais ou se internacionalizaram em até cinco anos após a sua fundação. O pesquisador observa que esse número de companhias que nasce com negócios no exterior é relativamente alto.

Batizadas de 'born globals', essas empresas têm características comuns. Segundo Dib, elas apresentam mais capacidade de inovação e investem cifras maiores em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em relação às demais. Além disso, são mais orientadas para os consumidores e fazem produtos sob medida para seus clientes.

A pesquisa também constatou dois outros traços comuns entre elas. 'As born globals são mais especializadas e não têm um leque de atuação tão amplo como as empresas tradicionais', diz Dib. Também, observa, o empreendedorismo dos fundadores dessas companhias é muito maior, comparado com as demais.

Dib destaca que o fato de empresas pequenas e muito novas nascerem internacionalizadas é um fenômeno recente, da década de 90. A incidência é maior, segundo ele, nas empresas de software porque essa indústria reúne um grande volume de conhecimento. 'Elas tratam de uma idéia, não de um produto físico', observa.

Para o pesquisador, existe uma forte relação entre esse movimento, a disseminação do uso da internet e a abertura comercial do governo Collor. 'A internet abriu canais ', disse, referindo-se às facilidades de exportar softwares por meio da rede mundial de computadores.

A cearense Ivia, especializada em software sob medida, nasceu em 2000 e, dois anos depois, tinha clientes na Europa. 'Nosso primeiro mercado fora do Brasil foi Portugal', conta o sócio Marcio Braga. Ele lembra que, na época, ficou em dúvida entre expandir seus negócios em São Paulo ou ir para o exterior. Optou por se internacionalizar porque o mercado do Sudeste era muito mais concorrido do que o de Portugal.

Seis anos depois da internacionalização da companhia, Braga não tem do que reclamar. 'Crescemos em ritmo mais acelerado depois da internacionalização', diz Braga. No ano passado, a empresa faturou R$ 16 milhões. Desse total, entre 8% a 10% vieram do mercado internacional. Atualmente, a companhia tem 300 funcionários, 25 clientes ativos no País e três clientes em Portugal. Também está em negociação com empresas dos Estados Unidos e Inglaterra.

A carioca LAB 245, que produz softwares para gerenciamento de documentos eletrônicos, foi fundada em 1996 e cinco anos depois fez a sua primeira investida no exterior. O país escolhido, na época, foram os Estados Unidos. Acontece que, com os atentados terroristas de 2001, as empresas americanas paralisaram as negociações com a companhia brasileira. 'Demos um passo atrás e focamos no mercado interno por causa da conjuntura. Agora, estamos voltando a prospectar clientes no exterior', diz o sócio-diretor Marcus Hardman.

Hoje, a companhia exporta seus produtos para uma empresa de aviação de Angola, na África, e inicia entendimentos com um banco português para venda de seus softwares. Hardman observa que uma das vantagens de ter negócios no exterior é diversificar mercado e não ficar tão dependente dos clientes locais. Com 20 funcionários e cerca de 150 clientes locais, entre os quais conglomerados como Petrobrás e Odebrecht, o diretor da LAB 245 destaca que outra vantagem obtida pelas empresas que se internacionalizam é a redução de impostos oferecida pelo governo.


Fonte: O Estado de São Paulo


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