Belo Horizonte - Um professor universitário, Gil Giardelli, um ex-padre que virou professor, José Luiz Jansen de Mello, e um psiquiatra/educador, Içami Tiba. Um trio nada convencional conduziu as palestras do seminário Desafios da Educação Empreendedora, no primeiro dia da Feira do Empreendedor 2012 do Sebrae em Minas Gerais, nesta terça-feira, 20 de março. Embasados no princípio de que a Educação é a base para o desenvolvimento em todas as esferas sócio-econômicas, os três, após as exposições individuais, empreenderam um debate, que teve a jornalista Inácia Soares como mediadora.
O poder das conexões para a educação e o empreendedorismo é o título da conferência de Gil Giardelli. Professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e CEO da Gaia Creative, empresa de inteligência em mídias sociais, Giardelli acredita que os sites de relacionamento de hoje estão com os dias contados. “No Canadá, um milhão de pessoas já se desinteressou pelo Facebook e, em 2014, 91% do conteúdo da internet será de vídeos, como no Qwiki, um programa criado por um brasileiro, que será o novo Google”, afirma. O professor reforça a tese baseando-se no fato de que “no Facebook, apenas 1% dos aficionados produz conteúdo, 4% replicam e 95% aprendem. É tempo de mudar, de integrar ao invés de dividir. As pessoas vão descobrir que não precisarão mais de velhos mapas para descobrir novas terras”.
José Luiz Jansen de Mello foi padre, abandonou o celibato, casou-se, mas não perdeu o jeito parcimonioso dos religiosos para desenvolver o tema da palestra Aprenda a ser criativo com o outro. Jansen acredita que, no mercado de trabalho futuro, não haverá lugar para quem não for criativo, inovador, colaborativo e ousado. “Vejam a criança, por exemplo. Ela nasce criativa e, quando cresce, parece esquecer tudo, não é?”, questiona. “A criança é espontânea, não é padronizada”, responde. Jansen credita a isso a morte da criatividade e desdenha a educação desenvolvida sob fórmulas antigas, em “escolas gaiolas”, que “existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo”. Para defender a escola em que o aluno será sempre o foco, acrescenta que “não podemos tratar os diferentes de forma igual”.
Içami Tiba, quando entrou para a faculdade de Medicina, queria atuar em todas as especialidades até decidir pela Psiquiatria. Mais recentemente, faltando apenas oito anos para sua aposentadoria, virou educador. Ele viaja pelo Brasil com palestras como a que ministrou na Feira do Empreendedor 2012, Educação de Alta Performance. “O verdadeiro educador não é o que fica rico e famoso, mas aquele que faz o melhor para os outros”, ensina, enquanto disseca a evolução da educação brasileira. Para ele, existem três gerações distintas – a X, que compreende os avós de hoje, a Y, dos filhos, e, Z, dos netos.
Comparando a educação recebida pela três gerações com o menu dos almoços de domingo da família Tiba, onde não faltavam macarrão e galinha ele diz: “os X não comiam coxa e peito, que eram do pai. Contentavam-se com asa e pescoço. Já os Y (filhos dos X), que não queriam repetir a criação que receberam, reservavam a coxa e o peito para os filhos. Os Z´ (filhos das Y), nem uma coisa, nem outra: eles querem é nuggets”. Ou seja, para o professor, a geração de hoje não quer nada das gerações passadas, ela quer é inovação, uma educação de alta performance.
Fonte: Sebrae
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