Fabricantes nacionais começam a produzir tablets, computadores com tela sensível ao toque semelhantes ao iPad, da Apple, mas voltados a segmentos específicos de mercado. A mineira MXT, de Betim (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte, ganhou um contrato para fornecer 11 mil aparelhos à Polícia Militar de São Paulo e começa a entregar os equipamentos neste mês. Segundo o diretor executivo da MXT, Etienne Guerra, cada aparelho custará R$ 2,1 mil. O valor é superior a algumas versões do iPad, disponíveis a partir de R$ 1,6 mil. "É o primeiro tablet 100% nacional", diz Guerra.
De acordo com o executivo da MXT, o tablet mineiro será acoplado nas viaturas, com conectividade plena. Ele permitirá a comunicação entre os carros e as centrais policiais e pesquisas em bancos de dados de pessoas procuradas ou veículos roubados. "Tecnicamente, será possível no futuro até registrar ocorrências na própria viatura, por meio do aparelho", diz Guerra. A aquisição dos dispositivos móveis é confirmada pelo tenente-coronel Alfredo Deak Júnior, chefe do Centro de Processamento de Dados da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
O equipamento da MXT se diferencia do da Apple pela robustez. "Ele foi desenvolvido para funcionar em altas temperaturas, com grande nível de vibração e sem interferência de outros aparelhos", afirma Guerra. O aparelho suporta um calor de até 70 graus Celsius e permite videoconferências entre usuários, embora essa aplicação não tenha sido desenvolvida no produto que será entregue à PM paulista. Ele vai funcionar com o sistema operacional Android 2.2, do Google, com modem GSM/Edge, que permitirá o rastreamento do aparelho independentemente de ele estar ligado ou não.
Guerra diz que espera obter outros contratos empresariais, com clientes que tenham equipes de venda ou de fiscalização. "O varejo de computadores para uso pessoal não é nosso foco, assim como o uso empresarial não é o foco do iPad, uma vez que esse mercado implica um alto índice de personalização do equipamento", diz o executivo. A receita projetada com a venda do tablet neste ano é de R$ 40 milhões.
Caso a previsão se concretize, o produto representará praticamente a metade do faturamento, estimado em R$ 100 milhões em 2011. No ano passado, tendo como carro-chefe a venda de rastreadores de veículos, a MXT obteve uma receita de cerca de R$ 50 milhões.
A MXT ampliou sua fábrica em Betim, em maio de 2009, em uma solenidade prestigiada pelo então ministro das Comunicações, Hélio Costa. A empresa investiu R$ 1,2 milhão na fabricação de um tipo de modem que permitia a interatividade na TV digital, desde que conectado a um conversor digital. O produto, porém, não vingou. Guerra diz que o produto ficou ultrapassado. "O conversor digital está migrando rapidamente para dentro das televisões e essa alternativa deixou de ser interessante."
O investimento para a produção do tablet foi de R$ 4 milhões. A atual capacidade instalada da fábrica de Betim é de 6 milhões de aparelhos por ano.
Segundo a consultoria IDC, em 2010 foram vendidos no Brasil 100 mil tablets. A estimativa é de que esse número chegará a 300 mil neste ano. Além da Samsung, que começou a fabricar seu tablet no Brasil em novembro, a Positivo Informática e a Itautec já anunciaram projetos de fabricação.
Fonte: Valor On-Line
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