Insatisfeito com a situação nacional e as atitudes governamentais? Então crie seu próprio país, com leis e soluções próprias. Foi exatamente isso o que um grupo de pessoas ricas do norte californiano resolveu fazer.
Os seasteaders, uma mistura de geeks com hippies, querem fundar sua própria nação em ilhas artificiais construídas em águas internacionais. Elas ficariam fora do domínio dos países estabelecidos, com escolas, hospitais de ponta e empreendedores focados em criar soluções inovadoras e lucrativas.
Entre os motivos para essa decisão, estão as disputas em Washington em torno do sistema de ensino, da obrigatoriedade dos planos de saúde, os impostos, as guerras e outros.
Por trás desse plano mirabolante, está Patri Friedman, ex-engenheiro de software do Google e neto de Milton Friedman, vencedor do prêmio Nobel. Frequentemente, ele e os seasteaders se reúnem em bares de São Francisco e do Vale do Silício para discutir a criação do país.
Para formalizar os encontros e buscar apoio financeiro, foi criado o Instituto Seasteading, que debate questões importantes para o projeto: como dessalinizar a água do mar, gerar eletricidade a partir da força das ondas ou como construir casas no meio do oceano.
Mas os primeiros seasteaders devem morar e trabalhar em cruzeiros adaptados que ficarão ancorados em águas internacionais. Futuramente, eles querem aproveitar a tecnologia de construção de plataformas de petróleo para criar ilhas artificiais.
Apesar da semelhança com os hippies, que idealizavam comunidades construídas com base no amor, esse grupo na verdade pretende criar comunidades em torno do lucro, com negócios sustentáveis. Entre os defensores, está Peter Thiel, um dos primeiros investidores do Facebook e do Paypal.
A primeira nação sobre o mas deve ser constituída com base nos princípios do livre mercado. Para Holly Folk, especialista em comunidades alternativas da Western Washington University, há alguns pontos a serem considerados nesse projeto. Se enfrentarem problemas em alto-mar, provavelmente esses cidadãos precisarão da ajuda de serviços públicos, como a guarda costeira.
Estudiosa no assunto, Holly explica que as comunidades que tendem a durar mais são as de cunho religioso, em que os desafios da convivência e da partilha de recursos são melhor aceitos por seus membros – algo que pode ser difícil em um país que incita o individualismo e a liberdade, como pretendem os seasteaders.
Apesar disso, em 2014 um navio será ancorado na costa de São Francisco para abrigar empreendedores que ainda não têm condições de criar um negócio em terra firme. Não é bem um país, mas é um primeiro passo.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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