Um dos meninos do Google, Larry Page, que conheci aqui no Brasil quando eu dava uma consultoria para a empresa, em 2006, enche uma página inteira de uma revista com a seguinte frase:
“Se você não está fazendo alguma coisa inteiramente louca, você está fazendo coisas erradas.”
Não é fácil para nós, simples mortais lutando pelo dia a dia, viver sempre à cata do improvável, do quase impossível, do impensável. É sempre mais fácil avaliar o mundo real em operação e optar pela segurança do já conhecido. Mas o recado do Larry não deve ser desprezado. Você imaginava que em janeiro de 2013 os brasileiros gastariam em viagens ao exterior quase US$ 3 bilhões, e que esse valor chega perto dos US$ 3,6 bilhões que todos os investidores estrangeiros aplicaram no Brasil no mesmo período?
Para sermos claros: temos mais recursos para gastar em viagens fora do país do que todos os investidores do mundo têm no momento para aplicar no Brasil. Quem imaginaria isso em 2006 e teria coragem de dizer que apostava nisso naquela época? Em janeiro de 2006 os brasileiros gastavam menos de US$ 300 milhões por mês em viagens ao exterior.
Agências de turismo e outros serviços correlatos foram turbinados de forma inesperada, enquanto os serviços das companhias aéreas e dos aeroportos viravam lixo. Em 2006 eles eram ótimos para o mercado que serviam, mas em 2013 são uma marca da imprevisão.
Não existe uma fórmula para ensinar o que ainda não vislumbramos. Estamos sempre correndo atrás dos fatos e repetindo receitas de docinhos domésticos como se fossem maravilhas do saber. Talvez olhar as coisas mais loucas que vêm por aí possa alimentar nossa curiosidade e instigar os mais ousados.
1- Os óculos digitais do Google, que, segundo o mesmo Larry, estarão à venda ainda este ano. Larry diz que será ainda um produto imperfeito, mas excitante. Seus olhos serão acrescidos de um display digital que lhe proporcionará a sensação de uma realidade aumentada enquanto você dispensa os atuais óculos.
2- Aviões e outros artefatos de movimento autorrecarregáveis. Nada nunca mais vai parar, seguirá sempre adiante. Fim dos postos de serviços.
3- Spray wi-fi. Imagine uma lata de spray que, quando acionada, dispara uma nuvem que funciona como uma antena receptora de sinais wi-fi. Nunca mais os “espaços” wi-fi ou os precários receptores caseiros. Impossível? Acesse o site da Chamtech Enterprises.
4- Micromáquinas à base de metaloproteínas, que poderão alimentar o mundo de energia e água eternamente. Se quiser saber mais, procure na rede um tal de Harry Gray, o dono da ideia.
5- Veículos de hipervelocidade para interceptação de asteroides, em inglês conhecidos pela sigla HAIV. Depois da surpresa do meteoro caído na Rússia recentemente, a ideia já parece até urgente, mas ainda está em fase de testes. Mais informações no site da Nasa, é claro.
6- Cafeína sintética, a partir de experimentos genéticos, com gostos e cheiros especiais e diferentes. Interessado? Comece pela fórmula C8H10N4O2, mas, se tiver alguma dificuldade, espere o livro a ser lançado por Murray Carpenter, chamado All jacked up.
7- Robôs de terceira geração estão chegando cada vez com mais força para tomar seu emprego. Pare um minuto e pense: o que você faz pode ser feito automaticamente por um robô de terceira geração? Se pode, trate de se cuidar, pois os mais otimistas (ou pessimistas, quem sabe) acham que sete entre dez empregos hoje existentes estarão extintos em 2030. Entre as profissões que os entusiastas dos robôs imaginam que podem ser mais bem executadas pelos robôs estão as de músicos, policiais, terapeutas, artistas, professores, enfermeiras, garçons, atletas, comediantes e personal trainers.
Colunistas ainda estão fora da lista, mas acho que é apenas um descuido dos entusiastas dos robôs.
O caríssimo Larry talvez tenha razão.
Que tal tentar uma empresa ou produto que seja imperfeito, mas excitante e que dentro de cinco anos será perfeito e sem graça, mas com enorme mercado consumidor, como o Google, o Facebook, os smartphones, os tablets e tantos outros, essas chatices tecnológicas envelhecidas pelo tempo cada vez mais curto da vida digital?
* Jack London é fundador da Booknet, primeiro negócio virtual que ganhou fama no Brasil, e da Tix, empresa de comercialização de ingressos online. Atualmente é professor, consultor e empreendedor.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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