O professor Marcus Linhares é reconhecido por seu esforço no ensino de empreendedorismo. Ele gosta de passar os ensinamentos por meios não tradicionais, como concursos e jogos. Suas criações lhe renderam, em 2010 e 2012, o primeiro lugar na competição “Melhor Técnica de Ensino de Empreendedorismo do Brasil,” promovida pelo Instituto Endeavor e pelo Sebrae.
Na edição do ano passado, Linhares ganhou com seu GestorBox, um jogo online onde os participantes começam como estagiários em uma empresa e têm a missão de fazer o negócio crescer até chegar à posição de CEO. Com o GestorBox, ele também venceu o “Desafio Tecnologias que Transformam 2013”, da Fundação Telefônica/Vivo. O game foi idealizado por Linhares para seus alunos do Instituto Federal do Piauí, onde é professor. Mas, diante da boa repercussão, ele transformou o jogo em um produto, que está sendo vendido para escolas e universidades.
Além disso, ele acaba de lançar o e-book C.H.O.Q.U.E., onde sintetiza toda a metodologia de modelagem de negócios presente no GestorBox. “Quis apresentar um formato novo para a fórmula velha”, afirma.
Com o C.H.O.Q.U.E., o empreendedor tem um roteiro com seis pilares que devem ser considerados antes da abertura ou reestruturação da empresa. Ele funciona como um checklist com o que deve ser executado para que o negócio acerte no posicionamento de mercado, no planejamento, na definição dos processos e no relacionamento com os clientes.
Confira abaixo quais elementos compõe o choque que o professor Marcus Linhares quer dar no empreendedor.
Conhecimento
O empreendedor deve saber quem serão seus consumidores potenciais. Com isso, poderá entender as tendências de consumo, definir que produtos vai oferecer e desenvolver uma estratégia de promoção. Compreender o mercado também implica saber quem são os concorrentes e parceiros (fornecedores). Se o empreendedor tem essas informações, terá facilidade para oferecer diferenciais - essas serão suas vantagens competitivas.
Habilidade
Aqui, o termo está associado ao poder de atrair boas pessoas. O empreendedor precisa levar sua equipe a um ponto aonde elas não iriam sozinhas. O esforço só será concretizado se as pessoas forem fisgadas por seus ideais. O time deve apostar junto com o empreendedor.
Operações
A operacionalidade se refere à maneira pela qual ideias e estratégias serão colocadas em prática. O ideal é criar um fluxograma das ações, envolvendo as pessoas de acordo com suas habilidades, assim como a estrutura necessária (física e tecnológica). Além disso, é necessário criar as operações mestres, compostas por ações específicas. Por exemplo: para desenvolver a operação de comunicação, quais serão as ações de publicidade, propaganda, divulgação, prospecção, pré-venda e atendimento? Para a operação de canais, quais serão as ações relacionadas a precificação, previsão de vendas, força de vendas e entrega, pós-vendas? Para a operação de compras, quais serão as ações de escolha de fornecedores, aquisição de insumos, armazenamento, gestão de estoque e expedição? Todos os outros fatores do C.H.O.Q.U.E. trabalham em função dessas oper(ações).
Quanti-Qualidade
Esse critério se refere ao planejamento financeiro. É nessa fase que o empreendedor tem de definir como serão obtidos os recursos: fontes de capital inicial, de capital de giro e receitas. Ele também precisa identificar quais os custos relacionados à produção ou prestação dos serviços. Também deve entender como definir os preços e como isso poderá influenciar no ponto de equilíbrio e na relação custo-benefício de cada produto ou serviço.
Uniformidade
Ela corresponde à organização dos sistemas e métodos que serão utilizados na empresa, desde seu organograma até a gestão de projetos. Para isso, o empreendedor deve estar atento às metas e fazer sempre as seguintes perguntas:
1. Existe alguma situação a ser resolvida?
2. Qual o principal objetivo?
3. Para chegar a esses objetivos, que metas traçar?
4. Qual é a hierarquia de prioridades a serem cumpridas?
5. Quais as principais táticas relacionadas às estratégias?
6. Como o ambiente interno irá reagir a essas decisões?
7. Neste ambiente interno, que forças e fraquezas podem ser identificadas?
8. Para o ambiente externo, quais são os fatores críticos e os de oportunidade?
9. O que será necessário criar, eliminar, aumentar ou reduzir
Efetividade
Esse tópico se refere a como a empresa é vista pelo público e consegue reter seus clientes. Para criar uma proposta de valor, é preciso aproximar ao máximo aquilo que o cliente espera com o que a empresa consegue oferecer. Com essa aproximação, surgem dois indicadores: a satisfação e a confiança. Para desenvolver a efetividade, é necessário criar estratégias de relacionamento com o cliente (CRM), demonstrar as propostas de valor e adotar técnicas de manutenção desses consumidores.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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