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Empreendedorismo

Morador do Dona Marta deixa a prisão e vira guia turístico

19/04/2011

Rio de Janeiro - Enquanto desce a escadaria do morro Danta Marta, zona sul do Rio de Janeiro, Gílson da Silva tem sempre uma palavra reservada para cada morador. O temperamento aberto, afável e brincalhão abriu as portas para uma profissão: monitor de turismo. Quando fala da sua vida profissional, ele brinca dizendo que seu currículo é diversificado. Já foi vendedor de bebida, auxiliar de biblioteca, ascensorista e agente comunitário, apenas os dois últimos com carteira assinada. Exerceu também outra atividade da qual não se orgulha, mas também não esconde.

Com tom tranqüilo, sem traço de autopiedade ou revolta, Gílson conta que aos 18 se tornou um criminoso. “Você cresce vendo os caras como super-heróis, com as mulheres mais bonitas, muito dinheiro no bolso e poder. Eles são modelo, então fica fácil achar que este é o caminho certo. Mas não estou tirando minha responsabilidade. Aqui tem muito trabalhador que nunca fez nada de errado”, enfatiza.

Durante três meses praticou assalto à mão armada. Acabou preso e condenado a dois anos em regime fechado. Dá graças a Deus pela ‘carreira’ tão curta ‘se não estaria morto agora’. Deu um basta quando viu a filha de cinco meses pela primeira vez ainda na cadeia. “Ela estendeu os braços e sorriu como se me reconhecesse. Ali, prometi para a Thayná que iria vê-la crescer!”.

Vida nova

A possibilidade de mudança apareceu com o ‘Rio Top Tour: O Rio de Janeiro sob um novo ponto de vista’. Lançado em agosto do ano passado na própria comunidade pelo então presidente Lula, o projeto conta com apoio do Ministério do Turismo, Investe Tio, agência de fomento do governo do Estado e do Sebrae, que promove uma oficina gratuita de monitores de turismo.

Com a pacificação, este morro da zona sul carioca, que abriga a comunidade Santa Marta, passou a ser muito procurado por turistas, sobretudo os estrangeiros. Em média, são mil visitantes por semana na alta temporada.

No começo, Gílson conta que as primeiras perguntas eram: “É perigoso aqui? Vou ser roubado?” Depois, com a consolidação do processo, as pessoas se sentiram mais tranqüilas para conhecer os atrativos, como o espaço Michael Jackson, onde o cantor gravou um clipe em 1996, e o Pedrão, um mirante natural de onde se pode avistar a enseada de Botafogo e o Cristo Redentor.

Aos 32 anos, voltou para a escola determinado a garantir o futuro dos cinco filhos. Estudante aplicado de turismo e inglês, ele pretende fazer contatos com agências e ampliar as possibilidades. Com o curso vai se credenciar como guia para toda a América Latina.

O passado de violência ficou definitivamente para trás. Como símbolo de um novo tempo, ele conta que chegou a ser agredido por um policial quando estava com um dos filhos no colo, um bebê de u ano e meio. “Ele ficou tão traumatizado que chorava toda vez que via alguém fardado. Hoje, aos nove anos, tanto o Dyllan Guilherme como os outros não têm mais medo e sempre cumprimentam a major Pricila com beijos”, diz se referindo à comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do local.

Fonte: Sebrae


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