São Paulo - Lindinalva Maria de Souza trabalha há 12 anos como cabeleireira e alimenta o sonho de ter o seu próprio salão. De casa em casa, fazendo cabelos, unhas e sobrancelhas, ela não tem certeza de quanto fatura por mês. Sabe que é o suficiente para se manter e guardar um pouquinho. Moradora do bairro de Artur Alvim, na zona leste da capital, ela descobriu em uma reportagem de televisão que poderia se tornar empreendedora individual. Nalva, como gosta de ser chamada, encontrou a chance na tenda armada pelo Sebrae no Largo São Bento, centro da cidade.
Na manhã de quarta-feira (29), Nalva e dezenas de pessoas lotaram a tenda do Sebrae. Em parceria com a Federação das Associações Comerciais (Facesp) e o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), o mutirão promove a formalização de pequenos negócios e presta consultoria para empreendedores individuais. A ação começou na última segunda-feira e termina no próximo dia 10 de março. Nos dois primeiros dias, informa a analista de atendimento do Sebrae em São Paulo, Heloisa Dantonio Endriukaitis, o mutirão atendeu 800 pessoas e realizou 180 formalizações.
A meta é chegar a 4,5 mil atendimentos e 1,2 mil formalizações nos 12 dias de evento. A maior demanda é pela formalização como empreendedor individual. Os interessados ainda têm dúvidas, segundo Heloisa, sobre a contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o pagamento mensal de impostos pelos integrantes da categoria. É preciso acessar, todos os meses, o Portal do Empreendedor (http://www.portaldoempreendedor.gov.br), preencher o relatório de atividades, imprimir o boleto e pagar em uma agência bancária. “Muita gente acha que, nos meses em que não tem faturamento, está isenta do pagamento da taxa. Não é verdade. Ele precisa pagar todo mês”, explica Heloisa.
Nalva preferiu pesquisar no Portal do Empreendedor sobre as orientações que recebeu no mutirão. “Nada que começa errado tem futuro. Por isso, estou buscando as informações para abrir o meu salão em Guarulhos. Aprendi aqui que é preciso ter também as minhas contas na ponta do lápis. Com o salão, vou virar uma empresária”, garante.
Entre as muitas vantagens de se tornar um empreendedor individual está a possibilidade de emissão de nota fiscal. A analista Heloisa Endriukaitis afirma que está é uma das grandes preocupações das pessoas que procuraram a tenda nos últimos dias. “Com o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), o empreendedor individual pode prestar serviços e vender seus produtos para empresas que exigem nota fiscal”, esclarece.
Ana Paula Bellucci é uma das que enfrentam essa dificuldade. Moradora da região de Guarapiranga, há dois anos ela atende com um buffet em domicílio. No ano passado, foi procurada por uma empresa para produzir um coffee break, mas precisava dar nota fiscal. "Consegui me virar, percebi um enorme mercado para crescer, mas percebi que preciso ser formal", reconhece. Além disso, o marido, hoje empregado, faz bico como eletricista. “Com a nota fiscal, ele pode trabalhar nas horas vagas para outras empresas na minha região”. A Paula Festas vai ser formalizada e emitirá notas fiscais para seus clientes, promete Ana Paula.
Fonte: Sebrae
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