Para contextualizar o cenário econômico brasileiro para os participantes estrangeiros do Congresso Global de Empreendedorismo, realizado até a próxima quinta-feira, 21, no Rio de Janeiro, o economista-chefe do banco Bradesco, Octavio de Barros, bateu um papo nesta tarde com o David Cohen, diretor de redação da revista Época Negócios.
Segundo o economista, o Brasil esteve diante de condições excepcionais nos últimos 10 anos e passou por transformações sociais e demográficas muito representativas. Hoje o crescimento demográfico brasileiro se aproxima do visto em países desenvolvidos e alcançará o patamar europeu no final desta década. Com isso, há um ciclo de redução do número de jovens. O número de indivíduos entre 18 e 24 anos chegou a 25 milhões em 2005. Atualmente são 22 milhões.
Mais do que uma queda no número absoluto, há uma mudança de comportamento. Os jovens de hoje ficam mais tempo nas escolas e demoram mais para entrar no mercado de trabalho – o que é um fator positivo. “Mas, no curto prazo, essa alteração representa uma redução da oferta de mão de obra”, diz Barros. Por isso o país registra o menor nível de desemprego de sua história.
E, nesse mesmo cenário, o empreendedorismo cresce no Brasil e tem boas possibilidades nas áreas de serviços e de processos. Isso porque existem muitos gargalos de infraestrutura gerados pela inclusão social observada pelos últimos governos. Há gargalos em aeroportos, portos e estradas, por exemplo. Para melhorar a situação será preciso investir no aumento da eficiência, na redução dos custos e no aumento da racionalização de processos. Essas são áreas muito propícias para quem quiser empreender nos próximos anos. “O ganho de eficiência não vai vir pelo aumento da mão de obra. As oportunidades estão em enxergar formas de realizar o que já fazemos de uma maneira melhor”, diz Barros.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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