São Paulo - Grandes ideias de negócio costumam nascer para suprir uma necessidade pessoal. Ou, como no caso dos amigos cariocas Bruno Natal, Felipe Continentino, Tiago Lins, Pedro Garcia e Pedro Seiler, uma necessidade coletiva.
Eles perderam a conta das vezes em que precisaram viajar a São Paulo para assistir a shows que não chegavam ao Rio de Janeiro .Conhecidos no mercado cultural carioca já que fizeram carreira em áreas como direção de TV e produção musical —, eles descobriram em 2010 uma forma de atrair suas bandas favoritas ao Rio.
Cada um convenceu 20 amigos a comprar ingressos para cobrir os custos mínimos do show do trio sueco Miike Snow, sucesso entre os moderninhos da zona sul carioca. O show deu tão certo que a vaquinha virou negócio. No fim de 2010, os amigos criaram o Queremos! (assim mesmo, com exclamação), empresa que ajuda fãs a atrair artistas para suas cidades. “Nossa pretensão era só assistir às bandas, mas os artistas nos diziam que o modelo não existia em outros lugares. Vimos que havia uma oportunidade”, diz o documentarista Bruno Natal, um dos cinco sócios.
Nos últimos dois anos, o Queremos! organizou mais de 50 shows de artistas como Os Paralamas do Sucesso e a banda escocesa Belle and Sebastian. Mais de 60 000 ingressos foram vendidos. Funciona assim: pela internet, o Queremos! recruta fãs dispostos a dividir os custos de um show e os coloca em contato com artistas e produtores.
Se o evento acontecer e os ingressos forem todos vendidos, os fãs recebem o dinheiro de volta isso na melhor das hipóteses. Se o show não esgotar, o fã que bancou a vinda do artista ainda terá de pagar o próprio ingresso. O Queremos! fica com de 10% a 20% da receita. A empresa não divulga faturamento nem lucro.
Esse modelo de financiamento coletivo é conhecido como crowdfunding. Ficou famoso em 2008, com o lançamento do site americano Kickstarter, que divulga projetos de empreendedores e recolhe doações para torná-los realidade. O Kickstarter e outras empresas especializadas em crowdfunding financiaram mais de 1 milhão de projetos no ano passado, a um custo de 2,7 bilhões de dólares — 81% mais do que em 2011. “O Queremos! foi a primeira empresa a levar essa lógica para o mercado de shows”, afirma o investidor Marcelo Sales, da consultoria especializada em startups 21212.
Modelo alternativo
Além de inédita, a iniciativa traz novos ares para um mercado encurralado. Segundo a consultoria americana Pollstar, especializada em eventos, a venda de ingressos das 50 maiores turnês do mundo caiu 20% em quatro anos. No Brasil, as grandes empresas do setor, que organizam shows de artistas como Lady Gaga e Madonna, acumulam prejuízos.
Fonte: Revista Exame
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