Fazer apenas aquilo de que gosta e ainda assim ganhar a vida é o objetivo de todo jovem empreendedor. Alguns chegam lá com muito planejamento e obstinação, mas outros contam também com a ajuda da sorte e do acaso. Foi assim com Edry José da Silva, 24 anos. Há dez meses, ele era o obscuro camisa 11 do Íbis, considerado o pior time de futebol do mundo. Mas eis que uma partida contra o Jaguar, pelo Campeonato Pernambucano de 2012, mudou o destino de Edry e a trajetória de derrotas da equipe - o Íbis estava há quatro anos sem vencer.
Nininho, como o jogador é mais conhecido, fez dois gols naquela partida. O feito foi parar no canal de vídeos YouTube, virou meme, chamou a atenção da imprensa esportiva e dos publicitários. O jogador estrelou a propaganda de uma empresa de telefonia e agora tem patrocínio exclusivo. Nininho passou a treinar todos os dias e está à procura de um time, desde que o contrato com o Íbis venceu, em outubro do ano passado. Mas ele segue sonhando e traçando metas. O jogador falou a Pequenas Empresas & Grandes Negócios logo após contar sua história para os participantes do 4º Congresso Pernambucano de Empreendedorismo - Jovens & Empreendedores, que terminou hoje no Centro de Convenções de Pernambuco, no Recife.
Você ficou surpreso ao ser convidado para este evento?
Fiquei. Não imaginava que viria para um congresso de empreendedorismo. Mas ao mesmo tempo fiquei muito feliz de poder passar um pouco da minha experiência, da minha vivência, para todos aqui, tão jovens.
Você se descobriu empreendedor?
Estou me descobrindo agora. Antes eu não tinha essa visão. Agora percebo que tudo que fiz lá trás está dando frutos. E a sensação de ser um empreendedor está cada vez mais forte.
O que fez do Nininho um empreendedor?
A parte mais forte foi não desistir daquilo que eu tinha em mente, do meu sonho, do que me movia. Essa foi a parte mais forte, que me fez chegar até aqui. É ver realizado aquilo que busquei anteriormente.
Como você começou no futebol?
Comecei com uma bolinha de plástico, jogando. Era um sonho de menino. Toda criança sonha em ser jogador de futebol, mas quando cresce a realidade já não é mais essa, tem de trabalhar, estudar. E consegui conciliar estudo, terminar o ensino médio, começar a faculdade e jogar futebol. No começo não foi fácil, como todo começo para quem quer empreender.
Você passou por muitas dificuldades?
Poxa, passei por muita coisa. Eu lembro que às vezes não tinha dinheiro para pagar a passagem para ir ao treino. Ia correndo, conseguia bicicleta emprestada com amigo, mas sabia que era aquilo que eu queria, que meu sonho era aquele. Então eu focava e ia em frente.
Quando os resultados começaram a aparecer?
De uns dez meses para cá, depois do jogo com a equipe do Jagua em que fiz aqueles gols, os dois gols da vitória. Não imaginava que fosse fazer um gol e também não sabia que fazia quatro anos que o Íbis não ganhava de ninguém. E comecei a colher aquilo tudo. Comecei a aparecer na mídia. Primeiro no Facebook, depois no jornal, em revista, depois numa matéria de esportes na TV e agora no comercial de uma empresa de telefonia.
O que você está planejando para o futuro depois que se tornou mais consciente de que você é de fato um empreendedor?
Pretendo dar continuidade. Não vai adiantar nada parar agora o que comecei lá atrás. É dar continuidade, sempre mantendo o foco e, com certeza, se Deus quiser, vão acontecer muito mais coisas.
O quê, por exemplo?
Minha meta é jogar num time grande. Sair de um time pequeno, com dificuldade, e ir para um time grande, jogar nos times de São Paulo, que são os mais vistos, e assim ir crescendo até, se Deus quiser, chegar à Seleção Brasileira.
Você tem feito contatos com outros times?
As coisas estão se ajeitando. Hoje tenho pessoas para cuidar de mim, para correr atrás de patrocínio e contatos. Isso ajuda bastante, mas não vai adiantar nada se dentro de campo eu não fizer. Hoje consigo ver um pouquinho além da linha do horizonte.
O que significa participar de um evento como esse?
É muito importante. Eu não imaginava estar aqui, servindo até de exemplo para outras pessoas que como eu não têm muitas opções, mas que querem conseguir alguma coisa. Com certeza deixei alguma mensagem que vai impactar essas pessoas e fazer com que elas consigam muito mais do que eu consegui.
O Nininho de hoje é muito diferente daquele de dez meses atrás?
Mudaram algumas coisas. A personalidade continuou a mesma, continuo com o pé no chão. Mas, com relação a reconhecimento, até mesmo por parte das pessoas em qualquer lugar onde chego, isso já mudou totalmente.
A renda melhorou também?
Melhorou. Antes não tinha, mas hoje, graças a Deus, já tem. E vai chegando mais. Vem de comercial, de patrocínio. Só tem a agregar, por tudo que foi plantado antes. Estou só colhendo aquilo que plantei. Hoje só me preocupo em fazer o que gosto.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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