Como surgiu a ideia de criar o Airbnb?
Em 2007, eu e meu sócio, Joe Gebbia, dividíamos um apartamento em São Francisco. Estávamos desempregados e, de repente, tivemos um aumento no aluguel. Nesse momento, ficamos sabendo que uma grande convenção de designers estava para desembarcar na cidade e criamos um site para alugar um quarto vago no imóvel, com serviço de café da manhã. A ideia era apenas levantar algum dinheiro para pagar as contas. A velocidade com que preenchemos as vagas e a diversidade de perfis de visitantes que recebemos nos mostrou que havia um mercado a ser explorado.
Vocês abriram uma operação em São Paulo em março. Quais foram as adaptações necessárias para lidar com o usuário brasileiro?
Ainda estamos descobrindo as particularidades do público. Sabemos que o brasileiro não costuma alugar a curto prazo. Mas também sabemos que contratos de três anos de aluguel não atendem à demanda de viajantes em busca de hospedagem rápida, ou estrangeiros recém-chegados no país em um processo de pesquisa de acomodação. Nem sempre é viável construir hotéis em todos os lugares que as pessoas visitam.
Quais são as estratégias para aumentar a base de usuários no país?
Apostamos em um crescimento alimentado pela experiência do usuário. Nossa política é ter baixos investimentos em marketing e deixar que a divulgação ocorra de forma viral. Há quatro anos, meus próprios pais achavam que abrir a casa para um desconhecido era uma ideia maluca. É um conceito que leva algum tempo para se consolidar, pois as pessoas precisam ter uma experiência recompensadora para acreditar na plataforma e divulgar o serviço para amigos.
Estabelecer uma relação de confiança com o usuário é fundamental para negócios digitais. Como vocês lidam com essa questão em um marketplace de ofertas livres?
Os pagamentos são efetuados no próprio site. Só liberamos o dinheiro para o anfitrião 24 horas após a chegada do hóspede, que pode cancelar o contrato caso o local escolhido não corresponda ao conteúdo do anúncio. Do outro lado do balcão, o anfitrião pode solicitar a quebra de contrato caso o hóspede viole as regras da casa. Acredito que o nosso papel é agir com eficiência nas relações entre as duas partes. Isso gera mais credibilidade para o serviço.
Quatro anos após o seu lançamento oficial, o Airbnb já está avaliado em US$ 1 bilhão. Quais foram os fatores determinantes para o crescimento acelerado da empresa?
Tivemos uma primeira onda de negócios digitais, na qual os modelos eram baseados na tradução de formatos analógicos para o on-line. Em um segundo momento, o foco estava no relacionamento completamente virtual entre pessoas e empresas. Acredito que daqui para frente, o usuário passará a buscar serviços na web para aplicar no mundo físico. Nosso modelo é baseado justamente nessa última tendência: promovemos a realização de encontros presenciais a partir de relações estabelecidas em ambientes digitais.
Os fundadores da empresa têm uma formação profissional calcada em áreas de design. Você acha que isso fez diferença na trajetória do Airbnb?
Com certeza. É preciso se colocar emocionalmente no lugar do usuário para desenvolver uma interface eficiente. Saímos da era da ênfase na engenharia de software e estamos vivendo um momento com foco no design e na experiência. Pinterest, Facebook e Twitter são provas desse movimento. Nossa interface é simples e tem como objetivo principal ressaltar o conteúdo das ofertas e perfis dos usuários, deixando a compra a apenas um clique de distância.
Quais conselhos você daria para um empreendedor iniciante no mundo digital?
É importante pensar em projetos que causem impacto na vida das pessoas a curto prazo. Em vez de pensar na próxima década, pergunte-se sobre o que seus consumidores vão precisar nos próximos dois anos.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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