Um grupo significativo de Pequenas e Médias Empresas de tecnologia e software de todo o Brasil descobriu, com o apoio da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX) e do Projeto de Apoio à Inserção Internacional de Pequenas e Médias Empresas (PAIIPME), que no mercado de TI, não há espaço apenas para os grandes. Com organização, pesquisa e qualificação, é possível colocar os seus produtos no mercado externo.
Tudo começou por meio de uma parceria firmada em 2008 entre a SOFTEX e o PAIIPME, programa executado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e cofinanciado pela União Europeia. O projeto de subvenção PSI-SW, como foi batizado em 2005, quando nasceu, ganhou naquela ocasião dois grandes desafios: primeiro, convencer as pequenas e médias empresas de que valia a pena buscar a internacionalização e, segundo, oferecer a estas os instrumentos necessários para sua inserção no mercado global.
“Sensibilizar e encorajar as empresas de menor porte a exportar é um processo difícil e lento, pois passa pela indução de uma cultura exportadora e pelo oferecimento de qualificação e de uma série de informações sobre os mercados-alvo. A parceria com a União Europeia por meio do PAIIPME foi essencial, porque nos deu ferramentas para colocar este projeto em prática”, ressalta Djalma Petit, diretor de Mercado da SOFTEX.
O trabalho começou com 124 empresas, mas ao final de 2010, quase 300 empresas haviam aderido ao projeto. Por meio de diagnósticos, pesquisas de mercado, consultorias, treinamentos e participação em feiras internacionais, estas empresas não só adquiriram a qualificação e o conhecimento necessários para exportar, mas encontraram as oportunidades que precisavam para inserir seus produtos no mercado externo de forma sustentável.
Ao final de 2010, as exportações das empresas integrantes do PSI-SW alcançaram US$ 150 milhões, valor quase oito vezes superior aos US$ 21 milhões exportados em 2005, ano de criação do projeto.
“Além de adquirir mais experiência em todos os processos de exportação, ganhando mais agilidade nestes processos, tivemos a oportunidade de participar de missões internacionais, onde pudemos ampliar o nosso conhecimento sobre diferentes mercados e encontrar oportunidades de conexões com empresas da Alemanha, França, Inglaterra e Hungria”, ressalta Ronaldo Valentino da Cruz, diretor da Calibre Games. A empresa exporta, atualmente, 100% de sua produção para o mercado externo, em especial, para o mercado europeu.
Números
Para se ter uma ideia de como, no Brasil, a exportação de softwares está concentrada em poucas e grandes empresas, vale relembrar dados divulgados em abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o estudo, 88,7% das vendas externas de softwares brasileiros estão concentradas em apenas 11% das empresas que representam o setor – aquelas que têm faturamento superior a R$ 30 milhões.
O País ainda trabalha para atingir a meta de exportações de software, prevista para US$ 2 bilhões em 2004 e reajustada para US$ 3,5 bilhões em 2010. A mesma pesquisa do IBGE - realizada com 1.799 empresas de TI de todo o País – mostra que as vendas externas do setor foram de US$ 1,1 bilhão.
Na comparação com a Índia, maior exportador mundial desse serviço, que registrou cerca de US$ 50 bilhões em receitas com vendas ao exterior, fica comprovado o longo caminho que os brasileiros ainda têm a percorrer.
O PAIIPME
O PAIIPME é fruto de um acordo de cooperação entre Brasil e União Europeia para a inserção competitiva das PME brasileiras no mercado europeu. Com um orçamento de 44 milhões de euros (metade proveniente de fundos não-reembolsáveis da União Europeia e metade proveniente de fundos brasileiros de origem pública e privada), é o maior projeto de cooperação técnica cofinanciado pela União Europeia em execução na América Latina. Suas ações acontecem por meio de parcerias com entidades nacionais, setoriais e locais, públicas e privadas. O MDIC, órgão brasileiro beneficiário dos recursos europeus destinados ao PAIIPME, delegou à ABDI a responsabilidade de executar as atividades de implementação e gestão do Projeto. A iniciativa já beneficiou mais de 2.500 PME, com ações de assistência técnica, formação de recursos humanos, aquisição de equipamentos de alta complexidade tecnológica, intercâmbio entre instituições homólogas, capacitação empresarial e realização de estudos.
A SOFTEX
A Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX) é gestora, desde a sua criação em 1996, do Programa para Promoção da Exportação do Software Brasileiro – Programa SOFTEX, considerado prioritário pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O “Sistema SOFTEX” reúne mais de 1.600 empresas de todo o território nacional e é integrado por uma ampla rede de agentes regionais que prestam apoio e orientação local às empresas em seu entorno. As ações da SOFTEX contam com o apoio institucional, técnico e financeiro de diversas entidades, entre as quais ABES, ABDI, Abinnee, Apex-Brasil, Anprotec, Assespro, BID, BNDES, CNI-SENAI, CNPq, Fenadados, Fenainfo, FINEP, Frente Parlamentar de Informática, MCT/SEPIN, MDIC, SBC e SEBRAE.
Fonte: Incorporativa
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