SÃO PAULO – O risco de crédito das empresas brasileiras ainda não retornou aos patamares atingidos no período pré-crise. O indicador divulgado pela Serasa Experian nesta terça-feira (24) revela que antes da crise econômica de 2009, 82% das companhias estavam classificadas no baixo risco, após um período de reavaliações, entre junho de 2008 a março de 2011, 74% destas empresas evidenciaram classificação no baixo risco.
Para chegar a este resultado, foram analisadas a saúde financeira das maiores empresas brasileiras, conhecida como segmento Corporate. No total, foram avaliadas 259 empresas, com faturamento aproximado de R$ 800 bilhões.
De acordo com a Serasa Experian, as dificuldades enfrentadas por algumas empresas no período da crise de 2009 culminaram na migração para o médio e alto risco de crédito.
Já 2010 foi marcado pela bom resultado da economia brasileira. As empresas foram beneficiadas pelo cenário favorável de emprego e renda da população ocupada, pela expansão de crédito, favorecendo a elevação do consumo interno. Em função do melhor desempenho interno, os setores comércio e serviços tiveram recuperação mais acelerada do que as empresas da indústria.
Serviços e comércio O setor de serviços apresentou 78% das empresas classificadas no baixo risco de crédito em março de 2011. Em junho de 2008, este percentual era de 84%. A recuperação pode ser explicada pela desvalorização do real frente ao dólar, o que impactou empresas que tinham dívidas em moeda estrangeira.
O comércio, por sua vez, foi o que apresentou a menor variação dos ratings do período. O setor foi beneficiado, principalmente em 2010, pela demanda interna que se manteve aquecida. O cenário favorável de emprego e renda da população, das reduções tributárias pontuais e da retomada industrial, expansão do crédito, garantiu o bom desempenho e a recuperação das avaliações de risco a patamares próximos ao período que antecedeu a crise.
Indústria Quanto à indústria, a maioria das empresas permaneceu na classificação de baixo risco de crédito, apesar de o setor ter sido o que mais enfrentou dificuldades. Estas empresas atingiram 64% na classificação do baixo risco de crédito, quando reavaliadas em abril do ano passado, considerada a pior avaliação do setor. Em março de 2011, o indicador atingiu 71%.
Um dos motivos para que os ratings ainda não estejam nos patamares pré-crise é o comportamento de alguns setores, cujo desempenho depende da situação dos mercados internacionais, nos quais a indústria brasileira vem perdendo participação devido à valorização do real em relação ao dólar, tornando os produtos brasileiros mais caros e menos competitivos.
Soma-se a isso o índice de endividamento, que evidencia a representatividade das obrigações em relação ao patrimônio líquido. Parte destas obrigações está composta por dívidas atreladas à variação cambial que, em momento de desvalorização do real frente o dólar, também impactam significativamente no endividamento e no resultado das empresas.
Fonte: InfoMoney
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