Nesta quarta-feira, dia 21, o Centro de Empreendedorismo da Fundação Getulio Vargas recebeu Jonathan Medved, gestor americano de venture capital. A palestra fez parte da Semana Global do Empreendedorismo. Nascido na Califórnia, Medved é um dos principais investidores de venture capital de Israel. Trabalhando da garagem de sua casa no país, ele cofundou a Israel Seed Partners (ISP) em 1995, conseguindo transformar um capital inicial de US$ 2 milhões em US$ 260 milhões em dez anos. A ISP deu vida a mais de 60 empresas tecnológicas em Israel. Em 2008, o New York Times nomeou Medved um dos dez americanos mais influentes em Israel.
Na palestra, Medved abordou diversos tópicos relacionados ao empreendedorismo e expôs o ponto de vista de investidores. Quando perguntado o que procura em empresas nas quais investe, ele disse que é indispensável que a empresa tenha magia. “Eu busco pessoas que são muito inteligentes e conhecem a fundo o negócio no qual estão”, disse o investidor. “É preciso ter vontade e energia imensas e trabalhar duro e rapidamente 24 horas por dia.” Outro elemento que exige de empresas novas é tração. “Independentemente de ter recursos suficientes ou não, o simples fato de que alguém começou algo e teve progresso já é um grande atrativo”, afirmou Medved.
Segundo o americano, um erro que elimina imediatamente empreendedores que o procuram para um investimento inicial é um contato feito de forma direta, sem intermédio de algum conhecido. Para o investidor, isso mostra não só uma falta de networking, como uma falta de marketing. É importante chegar nele sempre por meio de uma corrente de conhecidos.
Ele destacou também que o fracasso pode ser uma ferramenta valiosa no aprendizado de um empreendedor e ressaltou que um critério de desempate no caso de escolher entre dois casos parecidos é um histórico que contenha uma dose de fracasso. Medved atribui o grande índice de empreendedores em Israel à falta de medo da população devido à situação de conflito em que vive. “O medo de começar uma empresa e ela não dar certo é bem relativizado diante do medo constante de uma bomba atingir a sua casa.” Além disso, o treinamento que os cidadãos recebem no exército é extremamente baseado no improviso. Segundo Medved, isso contribui para a cultura empreendedora entre os israelenses.
Medved terminou o bate-papo com uma explicação das condições necessárias para um país atrair investidores internacionais. “É importante que haja incentivos fiscais para empreendedores. Além disso, tudo precisa ser muito rápido. Se em um país o tempo de abertura de uma empresa é superior a dois meses, pode esquecer.” Outros pré-requisitos são um sistema legal justo, um senso de ética entre os empreendedores e que as empresas tenham uma alta taxa de liquidez.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
| Voltar | Índice de Empreendedorismo |