“Empreendedorismo não é um dom, ninguém nasce empreendedor. É como lutar caratê, tocar violino ou usar a embreagem de um carro. Na primeira vez, parece muito difícil. Mas você só aprende fazendo.” Foi assim que Rodrigo Brito, cofundador da Aliança Empreendedora, abriu sua palestra no evento do Movimento Empreenda em Curitiba (PR).
A organização amplia o acesso dos empreendedores de baixa renda ao conhecimento, ao capital e a uma rede de contatos. Desde 2005, quando a Aliança foi criada, até hoje, foram apoiadas mais de 15 mil pessoas. São empreendedores como um homem que listou tudo o que não havia na sua comunidade – recarga de celular, sorvete, copiadora – e abriu uma pequena loja com R$ 1 mil de capital inicial. Hoje, ele tem sorveteria, locadora de DVD, loja de roupas e lan house. Depois de comprar um link, começou também a distribuir acesso à internet para a região.
Brito conta que a Aliança começou auxiliando as pessoas a montar um plano de negócios. Mas que acabou abandonando a prática. “Um empreendedor tradicional vê o que quer fazer, do que precisa, em quanto tempo vai ter retorno”, afirma. “Mas, se ele precisa almoçar e não tem grana para isso, que dinheiro vai ter para investir?”
O caminho, então, é entender quem é o empreendedor, do que ele gosta, o que ele já sabe fazer e quem ele conhece. “Ou seja, qual efeito conseguimos gerar com o que temos”, diz Brito. Assim como o dono da lan house, um empreendedor que gostava de consertar bicicletas abre uma loja e uma pista de skate e bike. E uma ex-empregada doméstica participa de oficinas de reaproveitamento de alimentos e monta um bufê.
“Nós avaliamos, depois, os indicadores de desenvolvimento do empreendedor. Quanto a autoimagem dele melhorou. Quanto a rede dele cresceu - e é da rede que surgem as oportunidades”, afirma Brito.
Entre as iniciativas já consolidadas da organização estão a Solidarium, um espaço online de comércio justo, e o site Impulso, de projetos de crowdfunding. Neste ano, será lançado um portal para que o empreendedor encontre, na sua cidade, o que existe de oferta de crédito e mentoria. E a iniciativa da Aliança deve se multiplicar para além do Brasil. “Isso tudo começou num café que tinha internet grátis. Foi nosso primeiro escritório. Não tinha parceiro nem recurso. Mas é nisso tudo que normalmente paralisa as pessoas – ‘não tenho isso, não tenho aquilo’ – que está a oportunidade”, afirma Brito.
Fonte: Pequenas Empresas Grandes Negócios
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