O Brasil vive um momento promissor para o empreendedorismo e para o surgimento e desenvolvimento de projetos inovadores. “As incubadoras e parques tecnológicos começam a colocar na cabeça dos egressos das universidades a sementinha empreendedora, para que eles entendam que o país está vivendo um momento muito oportuno para trazer seu conhecimento e transformá-lo em um negócio”, diz Francilene Procópio Garcia, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores(Anprotec).
Um estudo feito neste ano pela entidade em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e divulgado mostra que existem 384 incubadoras em operação no país. Apesar de o movimento já ter cerca de 27 anos, grande parte das organizações surgiu recentemente – sinal de que o setor vem ganhando força nas últimas décadas.
Segundo o estudo, metade das incubadoras da amostra têm até 8 anos de idade. Nesse grupo, a maioria está na faixa entre 3 a 5 anos. “Esse movimento começou há 27 anos a cada ano novas incubadoras surgem, então você tem incubadoras em diferentes estágios”, diz Francilene.
Juntas, essas 384 incubadoras são responsáveis por 2.509 empresas graduadas, que faturam R$ 4,1 bilhões anuais e empregam 29.205 pessoas. As empresas incubadas somam 2.640, com 16.394 postos de trabalho e faturamento de R$ 533 milhões. . Existem cerca de 7.000 incubadoras de empresas no mundo, segundo estimativa atual da National Business Incubation Association (NBIA).
Financiamento
A pesquisa também demonstrou que em mais de 50% das incubadoras pesquisas os recursos públicos ou das entidades gestoras são as principais fontes de receitas para a gestão dos projetos. Para Francilene, essa situação está alinhada a uma realidade mundial e não desqualifica o movimento brasileiro.
“As nossas incubadoras utilizam ainda recursos públicos porque estamos em um momento em que eles ainda são decisivos e é papel do estado fazer isso. Existe um risco no surgimento e na implantação destas empresas, e tem de ter um suporte até que elas decolem”, diz.
Para ela, o fato não quer dizer que as incubadoras brasileiras são menos competentes que as americanas, alemãs ou israelenses. “Se o Brasil tem de ser competitivo e para isso as empresas têm de ser inovadoras, o país tem de alavancar junto com a iniciativa privada durante um tempo, para que essas empresas de fato cheguem a esse patamar. E nós, incubadoras, fazemos essa interface”, afirma.
Mais gestão e investimentos
Francilene também está otimista com o início da implantação de uma nova ferramenta de gestão que foi elaborada em parceria com o Sebrae. A metodologia do Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos (Cerne) será adotada por 44 incubadoras ainda neste ano. Elas servirão como nucleadoras para outras 108 integradas no sistema.
“Temos o Cerne sendo implantado em parceria com o Sebrae, que vai melhorar bastante a gestão destas incubadoras. Qualificando a gestão, eu ofereço melhores serviços e aumento a capacidade de captação dessas incubadoras junto ao mercado”, diz a presidente. A plataforma do Cerne foi construída de forma colaborativa em um projeto que começou em 2008.
Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios
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